A britânica Revolut planeja, ainda em junho, uma oferta secundária de ações de pelo menos US$ 750 milhões que pode levar seu valuation a US$ 115 bilhões. Se a rodada se concretizar, a fintech passaria a valer cerca de duas vezes o Nubank, hoje avaliado em US$ 58 bilhões na Bolsa de Nova York, segundo relatório do BTG Pactual que compara os dois bancos digitais.
Revolut e Nubank lado a lado (2025)
| Métrica |
Revolut |
Nubank |
| Clientes |
63,8 mi |
131 mi |
| Depósitos totais |
US$ 65,3 bi |
US$ 41,9 bi |
| Tíquete médio de depósito |
US$ 1.024 |
US$ 320 |
| Carteira de crédito |
US$ 2,9 bi |
US$ 32,7 bi |
| Crescimento da receita |
49% |
37% |
Comparação com base em números de 2025, segundo relatório do BTG Pactual. Fonte: NeoFeed
Dois bancos digitais, modelos diferentes
A leitura do BTG é que a comparação tem vencedores dos dois lados. O Nubank tem quase o dobro de clientes e uma carteira de crédito mais de dez vezes maior, enquanto a Revolut lidera em depósitos totais e em tíquete médio, 220% superior. “O Nubank continua sendo mais focado em crédito e na América Latina, enquanto o Revolut possui um perfil mais global e mais leve em capital”, escreveram os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale. A fintech fundada por Nikolay Storonsky segue monetizando câmbio, pagamentos, assinaturas, investimentos, criptomoedas e contas empresariais.
O contraste aparece no múltiplo. Com o valuation de US$ 115 bilhões, a Revolut chegaria a um preço/lucro de 67,8 vezes, 231% acima das 20,5 vezes do Nubank. A fintech, que já mira um IPO avaliado em até US$ 150 bilhões, fechou 2025 com lucro de US$ 2,3 bilhões e receita de US$ 5,8 bilhões. Em março de 2026, solicitou licença bancária nos EUA e nomeou Cetin Duransoy como CEO americano.
Por que a venda privada antes do IPO
A captação secundária, que deve começar formalmente em 15 de junho, será liderada pela Glade Brook, investidora atual da fintech e também sócia de Stripe e Ramp. Entre os demais investidores estão Andreessen Horowitz, Tiger Global, SoftBank e TCV. Segundo o site The Information, há investidores dispostos a ofertas acima de US$ 100 milhões, e a rodada não deve ser finalizada antes de agosto. O movimento representaria alta de 53% sobre a última secundária, de novembro de 2025, quando a empresa passou a valer US$ 75 bilhões.
A Revolut tem preferido vendas privadas de ações a abrir capital, e não espera fazer IPO antes de 2028. Concluída a rodada, seria o primeiro “centicórnio” da Europa, empresa de capital fechado avaliada acima de US$ 100 bilhões. Em entrevista ao NeoFeed em setembro de 2025, Storonsky resumiu a estratégia: “Investimos em produtos a todo momento e mais cedo ou mais tarde nossos produtos serão muito melhores comparados a qualquer banco local de qualquer país”. Do outro lado da comparação, o Nubank, de David Vélez, Cristina Junqueira e Edward Wible, mantém a liderança em base de clientes na América Latina.
O que observar
A diferença de múltiplo entre os dois maiores bancos digitais globais não é só de tamanho, é de modelo. Uma operação mais leve em capital, centrada em serviços transacionais e câmbio, tende a ser precificada com prêmio sobre uma operação intensiva em crédito, que carrega risco de inadimplência no balanço. Vale acompanhar se esse prêmio se sustenta quando o ciclo de crédito vira, ou se o mercado passa a valorizar mais a previsibilidade de uma carteira de empréstimos consolidada.
O segundo ponto é o caminho de saída. Optar por rodadas secundárias no mercado privado, em vez do IPO, permite remarcar valuation sem o escrutínio diário da bolsa. Mas os desempenhos recentes de fintechs que abriram capital, com casos de queda superior a 50% desde a estreia, mostram que o preço privado e o preço público nem sempre conversam. A pergunta que fica é quanto dos valuations remarcados em rodadas fechadas resiste ao teste do mercado aberto, quando ele chegar.
Fontes: NeoFeed • Bloomberg