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SegurançaInternacional · Fraude no Pix

Banco alerta: golpista dá roteiro para vítima mentir

Banco australiano alerta para o scam-coaching: criminosos dão roteiro e história pronta para a vítima mentir ao gerente e furar a checagem antifraude.

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· 3 min

Atualizado em

Shutterstock

Um banco da Austrália começou a alertar clientes sobre uma tática que ataca o ponto que nenhum sistema antifraude cobre: a resposta que o cliente dá no balcão. Criminosos entregam roteiro, história de cobertura e instruções sobre o que responder quando o gerente questiona a transação.

O alerta do ANZ, banco australiano com operação também na Nova Zelândia, descreve o que a instituição chama de scam-coaching. Diferente do golpe tradicional, a manipulação é longa: o criminoso constrói confiança ao longo de dias ou semanas e prepara a vítima para mentir, ignorar avisos e esconder o propósito da transferência.

Onde o dinheiro se perde na Austrália

Tipo de golpe Perdas reportadas em 2025
Total A$ 2,18 bi (+7,8%)
Investimento A$ 837,7 mi
Desvio de pagamento A$ 166,8 mi
Romance A$ 139,9 mi
Phishing A$ 97,6 mi
Acesso remoto A$ 69,9 mi

Perdas com golpes reportadas em 2025, em 274.577 relatos com prejuízo. Fonte: ACCC

Como o golpista treina a vítima

O banco diz ver a tática quando a vítima é pressionada a mover somas altas, às vezes a poupança inteira, para outra conta em nome de uma falsa oportunidade de investimento. Em golpes com criptomoedas, o roteiro inclui garantir ao banco que não há terceiro ajudando e que a pessoa fez a própria pesquisa.

“Esses criminosos são manipuladores habilidosos. Eles treinam as vítimas sobre o que dizer e como evitar nossas checagens de golpe”, afirmou Ben Verhoef, líder de prevenção a golpes do ANZ. Segundo ele, mesmo quando o sistema antifraude sinaliza algo suspeito, parte dos clientes repete as frases que o golpista mandou dizer para a transação passar.

Vicki, consultora de atendimento do ANZ há mais de 15 anos, descreve a mudança no balcão. “Antes víamos golpes simples, mas agora estamos atendendo clientes munidos de histórias bem ensaiadas e respostas treinadas”, afirmou. Alguns chegam à agência com fones de ouvido ou o celular no bolso, recebendo instruções em tempo real sobre o que dizer. Na Austrália, as perdas com golpes somaram A$ 2,18 bilhões em 2025.

Por que o alerta importa no Brasil

O padrão não é exótico para quem opera prevenção por aqui. Em março de 2025, a Febraban apresentou prejuízo de R$ 10,1 bilhões com fraudes no setor bancário, alta de 17% sobre o período anterior, e R$ 2,7 bilhões em golpes com Pix, alta de 43%. A associação de fintechs Zetta já apontou a engenharia social como a frente crítica do Pix, com a vulnerabilidade fora dos sistemas.

A resposta brasileira tem sido reforçar a infraestrutura. O MED 2.0 entrou em vigor em fevereiro de 2026, com rastreio do dinheiro entre contas, bloqueio de valores suspeitos por até 11 dias e contestação pelo aplicativo. O Banco Central também planeja um score central de probabilidade de fraude para cada transação Pix. Na Austrália, o regulador do mercado já levou outro banco a admitir falhas na proteção de clientes contra golpes.

O que observar

A camada atacada não é tecnológica. Bancos de varejo e fintechs de pagamento gastaram anos montando score transacional, biometria comportamental e confirmação de beneficiário, controles que, no último metro, dependem de o cliente responder com sinceridade. Se a resposta foi ensaiada, a checagem vira formalidade. Vale acompanhar se sinais de contexto no atendimento, como terceiro na linha durante a operação e recusa em explicar o destino do dinheiro, viram gatilho formal de retenção.

A segunda pergunta é de ressarcimento. Os mecanismos de devolução em vigor foram desenhados para transferência fraudulenta, não para o caso em que a própria vítima digita, confirma e ainda defende a operação diante do gerente. Se o golpe com roteiro crescer, a discussão sobre quem arca com a perda quando houve autorização sob orientação de terceiros tende a chegar antes ao Judiciário do que à regulação.

Fontes: FinextraANZACCCConvergência DigitalAgência Brasil

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