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SegurosPesquisa · CNseg

Seguros devem perder peso no PIB pela 1ª vez desde pandemia

CNseg projeta participação do setor segurador no PIB em 5,8%, abaixo de 6% pela primeira vez desde a pandemia. Previdência deve recuar 4,4% com impacto do IOF.

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A participação do setor segurador no PIB deve cair para 5,8% em 2026, ficando abaixo de 6% pela primeira vez desde o início da pandemia, segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). A arrecadação total deve crescer 5,7% e atingir R$ 808 bilhões, mas o resultado esconde a queda de 4,4% nas captações com previdência privada.

Projeções CNseg: dezembro vs. abril

Segmento Dez/25 Abr/26
Danos e responsabilidade +8,5% +7,4%
Seguro rural +2,3% -3,9%
Automóveis +7,7% +7,1%
Patrimonial +11,2% +9,8%
Riscos financeiros +12,5% +9,5%
Habitacional +10,2% +12,8%
Transportes +6,6% +8,1%

Revisão das projeções da CNseg entre dezembro de 2025 e abril de 2026. Fonte: Valor Econômico

O peso do IOF na previdência e no setor segurador

A projeção é a primeira de 2026 que inclui previdência nos cálculos. Em dezembro, a CNseg estimava crescimento de 8% para o setor total, mas excluía previdência pelas incertezas sobre o IOF. O governo passou a cobrar 5% sobre aportes em VGBL acima de R$ 300 mil em 2025 e acima de R$ 600 mil em 2026. O efeito foi severo: as captações com previdência caíram 20% em 2025, e o VGBL deve recuar mais 5,5% neste ano.

“Monitoramos com atenção a instabilidade no Oriente Médio, pois a crise impacta diretamente os preços do petróleo e a inflação. Essas pressões acabam influenciando a trajetória da Selic e o crescimento do PIB”, afirmou Dyogo Oliveira, presidente da CNseg. A entidade revisou a Selic projetada de 12% para 12,5%. Sem considerar saúde, o crescimento esperado é de apenas 2,9%, após queda de quase 5% em 2025. Enquanto isso, o governo estuda ampliar o Open Finance para seguros e previdência, o que pode abrir novas frentes de distribuição para o setor.

O que observar

A inversão no seguro rural, de +2,3% para quase -4%, mostra como cortes de subsídio governamental podem desmontar a trajetória de um segmento em poucos meses. Se o modelo dependia de incentivo público, a retirada testa a demanda orgânica. A mesma lógica se aplica à previdência: com o IOF encarecendo aportes de maior valor, a pergunta é se investidores migram para outros instrumentos ou simplesmente reduzem poupança de longo prazo.

A queda abaixo de 6% do PIB pela primeira vez desde a pandemia é simbólica, mas revela um descompasso: enquanto seguradoras investem em tecnologia e distribuição digital, fatores macroeconômicos e tributários comprimem a demanda por proteção. Vale acompanhar se segmentos como habitacional (+12,8%) e transportes (+8,1%) conseguem compensar as perdas estruturais em previdência e rural ao longo do ano.

Fontes: Valor EconômicoRevista ApóliceLet’s Money

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