Bancos que escalarem o uso de agentes de inteligência artificial podem reduzir custos entre 30% e 40% e elevar a rentabilidade em até 30% até 2030, segundo relatório do Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a OpenAI. O estudo marca uma virada: a indústria financeira saiu da fase de pilotos isolados e entrou no ciclo de escala.
IA agêntica nos bancos: projeções BCG + OpenAI até 2030
| Indicador | Impacto estimado |
|---|---|
| Rentabilidade dos bancos | Até +30% até 2030 |
| Custos operacionais | Redução de 30% a 40% |
| KYC em situação de exceção | De dias para minutos |
| Área de impacto mais imediato | Back office (compliance, crédito) |
Projeções do relatório BCG + OpenAI sobre IA agêntica em bancos de varejo. Fonte: Valor Econômico
Back office como ponto de entrada obrigatório
João Milanezi, sócio do BCG, resume o momento: “A gente passou do momento de experimentar e a gente está chegando no momento muito rápido de ‘vamos escalar'”. O relatório, intitulado “Como os bancos de varejo podem colocar agentes de IA para trabalhar”, aponta que as instituições deixaram de discutir apenas pilotos e passaram a buscar formas de transformar o modelo operacional.
O back office concentra o “impacto mais imediato e substancial”, segundo o estudo. Agentes conseguem interpretar documentos complexos, consolidar dados de múltiplos sistemas e manter trilhas de auditoria sem alterar estruturas existentes de risco e compliance. O exemplo mais direto é o KYC: “É num processo de KYC [conheça seu cliente] que, quando ia para uma exceção, demorava dias, agora ele vai ser tratado em minutos e você vai ter uma resposta muito mais rápida”, afirmou Milanezi.
O movimento em direção ao agentic finance segue essa mesma lógica no onboarding de crédito: agentes analisam dados de identidade, fraude, sanções e birôs para gerar resumos estruturados antes da aprovação final, um processo que ainda depende de revisão manual em grande parte das instituições.
No front office, o estudo prevê a substituição de jornadas baseadas em menus por assistentes capazes de conduzir tarefas completas em escala. “O canal digital agora é uma ‘commodity’. Ter um canal digital bom não é mais diferencial”, afirmou Milanezi. O diferencial competitivo, segundo ele, migra para experiências conversacionais.
Esse cenário coloca o Brasil em posição favorável: “O Brasil é quase que um ambiente muito fértil para isso avançar mais rápido que em outros lugares”, avaliou o executivo, citando o alto nível de digitalização da população. Bancos tradicionais já aceleraram investimentos em IA para reconquistar clientes, e agentes como os testados por Visa e Banco do Brasil em compras automatizadas indicam a direção do mercado.
O BCG alerta que a governança de dados será o fator limitante. “A IA só é tão boa quanto a tua camada de dados”, avaliou Milanezi. O relatório recomenda centros de excelência dedicados, monitoramento contínuo e estruturas robustas de governança. A agenda precisa sair da área de TI: “É uma agenda do CEO, é do C-level, definir que isso é prioridade e quais são as cinco ou oito apostas grandes que vão dar agulha para o banco”, disse.








