O Bradesco revelou dois marcos concretos em painel do São Paulo Innovation Week: a BIA triplicou a base de clientes de 6 milhões para mais de 20 milhões em um ano, e IA e machine learning cortaram o tempo de análise de crédito no segmento de atacado de 10 para 3 dias.
BIA do Bradesco: indicadores de 2026
| Indicador |
Resultado |
| Base de clientes BIA (1 ano) |
6 milhões → +20 milhões (3x+) |
| Taxa de resolução |
90% |
| Análise de crédito atacado (tempo) |
10 dias → 3 dias |
Indicadores divulgados pelo Bradesco em maio de 2026. Fonte: TI Inside
Os números da BIA em 2026
Patrícia Kessler, diretora de CX do Bradesco, atribuiu à BIA a transformação da relação com o consumidor em uma “jornada conversacional”, sustentada por ferramentas de feedback que garantem “uma constante evolução” do agente. Em um ano, a adoção mais do que triplicou: de 6 milhões para mais de 20 milhões de clientes usando a BIA, com taxa de resolução atual de 90%. Michel Fernandes, superintendente de tecnologia, acrescentou que a BIA Tech, braço voltado para desenvolvedores, responde pela evolução digital do banco e pela redução de custos operacionais, além de apoiar o desenvolvimento de guardrails internos.
Fábio Garcia, superintendente de crédito, apresentou os dados de impacto financeiro: o uso conjunto de IA e machine learning reduziu o tempo de análise de operações de crédito no segmento de atacado de 10 para 3 dias. Garcia destacou que o objetivo seguinte é ampliar o papel da IA na tomada de decisão, indo além da automação. O movimento acompanha uma tendência mais ampla: o Let’s Money apontou que bancos diversificam ferramentas de IA e reduzem dependência de modelos únicos, estratégia que se reflete na arquitetura paralela da BIA e da BIA Tech.
A agenda além do hype
Os três executivos convergiram num ponto que contrasta com o tom habitual de painéis de evento: a advertência contra a implementação irrefletida. Kessler afirmou que “escalar com IA requer maturidade para lidar com novos problemas” e que as empresas precisam “gerenciar a ansiedade” na adoção de tecnologias emergentes. Garcia acrescentou que as organizações “não devem fazer mais do que o necessário somente pelo hype da IA” e definiu o momento atual como marcado por uma “assimetria de informação”.
Para ele, o imperativo é entender as ferramentas disponíveis e ter capacidade rápida para ajustes. Fernandes completou que, com os devidos cuidados, líderes devem estar dispostos a testar novas implementações. O alerta tem respaldo externo. Em fevereiro, relatório da Capco apontou que a adoção de IA em bancos repete os erros que marcaram nuvem e big data: pressa na escala antes de consolidar governança e processos.
O que observar
Os indicadores divulgados são autodeclarados, apresentados por executivos da própria instituição em contexto de evento. Isso não invalida os números, mas impõe uma leitura com esse filtro: não há auditoria independente sobre a base triplicada nem sobre a redução no tempo de análise de crédito. A especificidade importa: a “taxa de resolução de 90%” cobre quais tipos de interação? O prazo de 3 dias para o segmento de atacado estende-se a outras modalidades de crédito?
Vale acompanhar se esses KPIs aparecem nos próximos relatórios públicos do banco, o que permitiria comparação temporal e verificação independente. O ângulo mais honesto do painel foi levantado pelo superintendente de crédito: no estágio atual, a maior parte das organizações financeiras não tem capacidade técnica para avaliar criticamente as ferramentas que está adquirindo ou desenvolvendo. Essa “assimetria de informação” é o principal risco de governança da adoção de IA em escala.
Fontes: TI Inside • São Paulo Innovation Week