A Conta Simples lançou o Cartão Inteligente, que recusa transações fora de regras pré-configuradas pela empresa, e um servidor MCP que conecta o financeiro corporativo de PMEs diretamente ao Claude, da Anthropic, sendo a primeira fintech da América Latina a disponibilizar esse tipo de infraestrutura para o mercado.
Conta Simples em números: Cartão Inteligente e MCP
| Produto |
Resultados |
| Cartão Inteligente |
R$5,5 bi transacionados; emissão +140% no 1S2025; 2,5% do mercado corporativo |
| Servidor MCP com Claude |
Fechamento financeiro: -90%; conciliação: 7 para 2 etapas; -120h/mês por equipe |
Dados da Conta Simples, 2025-2026. Fonte: Exame
Cartão Inteligente: governança antes do gasto, não depois
A lógica do produto inverte o fluxo tradicional de controle de despesas corporativas. Em vez de emitir cartões compartilhados e conferir gastos após o fato, via planilhas e reembolsos, o cartão nasce com regras definidas: quem pode usar, limites de valor, horário, dias e categorias permitidas. Transações fora da configuração são recusadas automaticamente. “Isso transforma o cartão em uma extensão da política financeira da empresa, automatizando governança e reduzindo erros operacionais”, disse Rodrigo Tognini, CEO e cofundador.
Dos R$ 25 bilhões movimentados pela Conta Simples em 2025, R$ 5,5 bilhões passaram pelo modelo de Cartão Inteligente. A emissão de novos cartões cresceu 140% no primeiro semestre de 2025. A fintech estima 2,5% de participação no mercado de cartões corporativos no Brasil, que ainda é altamente pulverizado. O segmento de fintechs de gestão de despesas corporativas tem ganhado escala globalmente com essa mesma lógica de pré-autorização e automação.
Servidor MCP com Claude: fechamento financeiro de horas para minutos
A Conta Simples lançou em 2026 um servidor MCP (Model Context Protocol) que conecta as contas financeiras da empresa diretamente ao Claude, modelo da Anthropic. A solução reduz o tempo de fechamento financeiro mensal em até 90%, corta as etapas manuais de conciliação de sete para duas e gera uma economia de cerca de 120 horas operacionais por mês para as equipes financeiras. O servidor opera em modo leitura, análise e criação, sem executar pagamentos de forma autônoma.
Segundo a TI Inside, apenas 13% das empresas brasileiras conseguem aplicar IA ao financeiro corporativo, apesar de 49% já usarem IA em alguma operação. Esse gap é o mercado endereçável pela integração. O padrão de uso do MCP em serviços financeiros avança em escala internacional, como mostram os movimentos de grandes bancos brasileiros que já operam mais de mil modelos de IA, seguindo a mesma trajetória de IA autônoma transformando atendimento e operações bancárias em escala global.
O que observar
O modelo de pré-autorização no cartão corporativo representa uma mudança estrutural no controle de gastos: a governança financeira se move para antes da transação, não depois. Quando esse padrão se generaliza, ferramentas de reconciliação manual e ciclos de reembolso enfrentam pressão de substituição. Para PMEs, o ganho é imediato em eficiência operacional; para bancos tradicionais que ainda operam com cartões compartilhados e relatórios retroativos, é um ponto de diferenciação que vai exigir resposta.
No lado do MCP, o ponto crítico é a fronteira entre análise e execução. A escolha de limitar o servidor a leitura e criação, sem autorizar pagamentos autônomos, é deliberada e regulatoriamente conservadora. A pressão para avançar para execução vai crescer conforme a confiança no modelo aumentar, e a questão regulatória sobre quem responde por erros de um agente de IA em operações corporativas ainda não tem resposta definitiva no Brasil.
Fontes: Exame • TI Inside • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money