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Google Cloud aposta em agentes de IA para bancos e fintechs

Estudo avalia 20 bancos e fintechs: nenhum usa dados de Open Finance em 24h; metade dos chatbots não entende o sentimento do cliente.

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· 3 min

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O Google Cloud lançou a quinta edição do Finfacts 2026, estudo sobre agentes de IA e experiência digital de 20 bancos e fintechs brasileiros. O dado mais impactante: com 110 milhões de consentimentos de Open Finance registrados, nenhuma das instituições analisadas ofereceu produto ou benefício baseado nos dados do ecossistema nas primeiras 24 horas após o consentimento.

Finfacts 2026: principais lacunas (20 instituições)

Indicador Resultado
Benefício via Open Finance em 24h pós-consentimento 0 de 20 instituições
Chatbots que agem como consultores 5 de 20
Chatbots que entendem sentimento do cliente 10 de 20 (50%)
Busca funcional com erros de digitação Apenas 8 de 20
Abertura de conta em tempo real Apenas 10 de 20

Finfacts 2026, quinta edição do estudo Google Cloud. Fonte: Convergência Digital

O gap entre dados disponíveis e uso efetivo

O Open Finance acumulou 110 milhões de consentimentos no Brasil, mas a capacidade das instituições de transformar esses dados em produtos personalizados ainda é limitada. Nos aplicativos analisados pelo Finfacts, 6 instituições sequer exibem o saldo de outros bancos via Open Finance na interface, ante 11 na edição de 2025. Avanço real, mas parcial. No onboarding, metade das instituições não consegue abrir conta corrente em tempo real, e uma delas levou mais de 72 horas para liberar o acesso. “Por muito tempo, a corrida da nossa indústria foi para oferecer serviços digitais mais rápidos. Hoje, isso já virou o básico. A disputa agora está no centro da atividade financeira de cada pessoa”, disse Milena Leal, Country Manager Brasil do Google Cloud, na abertura do evento que apresentou o estudo.

Os chatbots concentraram os piores resultados. Apenas 5 dos 20 avaliados desempenharam o papel de consultores financeiros, respondendo adequadamente a perguntas sobre produtos. Sete sequer utilizam linguagem natural, apresentando menus fixos no lugar de interação conversacional. No segmento de seguros, nenhuma das 13 instituições analisadas apresentou informações completas como vigência, carência e exclusões de cobertura.

IA agêntica como resposta às lacunas

O lançamento do Finfacts coincidiu com o posicionamento do Google Cloud após o Google Cloud Next ’26, evento em Las Vegas onde a empresa apresentou o conceito de “Agentic AI”: sistemas de IA que operam de forma mais autônoma, orquestrando tarefas de compliance, análise documental e processos regulatórios sem intervenção humana passo a passo. No setor financeiro global, o Citi Wealth já implantou o Citi Sky com Gemini Enterprise e o Starling Bank lançou assistente de IA para automação bancária básica. No Brasil, a Visa e o Banco do Brasil testam compras feitas por agentes de IA, sinalizando que a tendência também ganha tração local.

A aquisição da Wiz por US$ 32 bilhões reforçou a aposta do Google Cloud em infraestrutura de segurança para ambientes regulados, requisito central para aplicações de IA em finanças. “É o momento em que a inteligência artificial encontra a ação”, resumiu Leal ao descrever o potencial da IA agêntica para automatizar análise de normas, contratos e documentos.

O que observar

O dado mais revelador do estudo não é sobre tecnologia: é sobre incentivo. Com 110 milhões de consentimentos acumulados, o Open Finance existe em escala, mas os dados não se convertem em produtos personalizados. A questão que fica é se a adoção de IA agêntica resolve esse problema ou apenas automatiza a camada de interface, sem alterar a propensão das instituições a usar os dados do ecossistema.

Vale acompanhar se os próximos relatórios do Open Finance mostrarão crescimento nas ofertas ativas pós-consentimento, o que seria o indicador mais concreto de que o investimento em IA está transformando o dado em receita. Por ser um estudo conduzido por fornecedor de tecnologia com interesse direto na solução proposta, os dados merecem validação por fontes independentes antes de orientar decisões de negócio.

Fontes: TI InsideConvergência DigitalMobile Time

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