O Google anunciou no Google I/O de maio de 2026 a maior reformulação de sua busca em mais de 25 anos: o AI Mode, que substitui a lista de links ranqueados por respostas sintetizadas diretamente na interface e, segundo análise da PYMNTS, transfere o poder de descoberta no B2B da precisão de palavras-chave para a autoridade legível por máquina.
Busca tradicional vs. AI Mode: o que muda para o B2B
| Dimensão | SEO tradicional | AI Mode |
|---|---|---|
| Unidade de competição | Posição na página de resultados | Inclusão na resposta sintetizada |
| Diferencial chave | Palavras-chave + volume de conteúdo | Corroboração, dados proprietários, autoridade de setor |
| Vantagem de quem | Produtores ágeis de conteúdo SEO | Marcas consolidadas com pesquisa e dados exclusivos |
| Intermediários de conteúdo | Sites de afiliados e comparadores têm alto valor | Valor reduzido: avaliação absorvida pela plataforma |
Análise baseada em comportamento de LLMs na recuperação de informação B2B. Fonte: PYMNTS
Da página de resultados à camada de recomendação
Um ano após seu lançamento, o AI Mode já ultrapassa 1 bilhão de usuários mensais, com consultas mais que dobrando a cada trimestre, segundo dados do Google. O modelo padrão passou a ser o Gemini 3.5 Flash, com suporte a entradas multimodais: texto, imagens, vídeos, arquivos e abas do Chrome. A mudança estrutural, aponta a PYMNTS, é que o sistema agora absorve o processo de pesquisa em vez de distribuir tráfego. Em vez de encaminhar o usuário a múltiplos destinos externos, a plataforma interpreta a intenção, compara fontes, sintetiza a recomendação e apresenta a conclusão diretamente na interface.
Para empresas B2B, a consequência é que a descoberta deixa de ser uma questão de posição em uma lista classificada e passa a depender de inclusão na resposta gerada. Grandes modelos de linguagem priorizam corroboração, informações estruturadas, consistência semântica e referências cruzadas entre fontes consideradas confiáveis. Empresas menores conseguiam superar marcas estabelecidas com execução tática de SEO: segmentação de palavras-chave e produção de conteúdo em escala. O AI Mode redesenha essa dinâmica, aproximando a busca online de um modelo anterior à internet, em que relações públicas, liderança de pensamento e pesquisa proprietária tinham peso maior do que alcance de conteúdo.
Esse movimento acompanha tendências que vêm se acelerando. 42% dos usuários avançados já reduziram o uso de buscadores tradicionais em favor de interfaces conversacionais e carteiras digitais. No segmento de pagamentos, a lógica de agentes autônomos está avançando em paralelo: a Mastercard lançou camada de confiança para agentes de IA que executam transações comerciais sem intervenção humana direta, e Visa e Banco do Brasil testam compras feitas inteiramente por agentes. Quando a decisão de compra no B2B passa por um agente e não por um humano que digita uma busca, a capacidade de descoberta depende de critérios de máquina, não de comportamento de navegação.
A PYMNTS Intelligence, com base nos dados do Payments Optimization Tracker® de novembro de 2025, aponta que, à medida que agentes de IA amadurecem, as descrições pensadas para persuasão humana precisam ser complementadas por metadados precisos: especificações, dimensões, compatibilidade, garantias, políticas de devolução e disponibilidade em formatos consistentes. A visibilidade deixa de ser uma questão de copywriting e passa a exigir estrutura de dados.








