A Alphabet e a Blackstone anunciaram a criação de uma empresa de computação em nuvem voltada à IA com investimento total de US$ 25 bilhões, dos quais US$ 5 bilhões em capital próprio da Blackstone, que será a acionista majoritária. A meta é atingir 500 megawatts de capacidade computacional até 2027, usando os chips TPU desenvolvidos pelo Google.
Google + Blackstone: joint venture de nuvem de IA
| Item |
Detalhe |
| Capital próprio (Blackstone) |
US$ 5 bilhões |
| Investimento total (com alavancagem) |
US$ 25 bilhões |
| Meta de capacidade |
500 MW até 2027 |
| Chips dos data centers |
TPUs do Google |
| CEO da nova empresa |
Benjamin Treynor Sloss (veterano Google) |
| Concorrência direta |
CoreWeave, Nebius |
Fonte: InfoMoney
TPUs próprios contra a dependência de GPUs
A nova empresa disputará o mercado das chamadas neoclouds, que oferecem poder computacional para provedores de serviços de IA. Concorrentes como CoreWeave e Nebius dependem das GPUs da Nvidia. A joint venture com o Google diferencia-se ao usar os TPUs, aceleradores projetados internamente pelo Google para treinar e operar modelos de IA com maior eficiência energética por transação. A compra da Wiz por US$ 32 bilhões, concluída em março, é parte da mesma expansão de capacidade e segurança de nuvem que o Google vem acelerando.
“Essa joint venture com a Blackstone ajuda a atender à crescente demanda por TPUs, otimizados especificamente para eficiência e desempenho na era da IA. Juntos, estamos acelerando a transformação por IA e oferecendo mais opções para que organizações acessem capacidade de computação acelerada”, disse Thomas Kurian, CEO do Google Cloud, em comunicado.
Blackstone como alavanca financeira da infraestrutura de IA
A Blackstone, que administra mais de US$ 1,3 trilhão em ativos, se posiciona como a maior fornecedora global de data centers. A gestora adquiriu a operadora QTS em 2021 e comprou a australiana AirTrunk em 2024. Em maio, realizou a oferta pública inicial da Blackstone Digital Infrastructure Trust, veículo de aquisição de data centers que se beneficia do boom de IA. O vice-presidente da Blackstone já alertou que investidores subestimam o impacto da IA nos negócios.
“Vemos uma oportunidade geracional de investir capital em escala na construção de infraestrutura de IA. Essa nova empresa tem enorme potencial para atender à demanda sem precedentes por capacidade computacional”, disse Jon Gray, presidente e COO da Blackstone, em comunicado.
O que observar
O modelo coloca gestoras de ativos alternativos como acionistas majoritárias de infraestrutura construída com tecnologia de big techs, oferecendo aos parceiros tecnológicos capacidade de data center sem comprometer o balanço próprio. Para grandes empresas de tecnologia que precisam escalar CapEx rapidamente, fundos de private equity com portfólios consolidados em energia e infraestrutura digital representam uma alternativa ao endividamento direto ou à diluição acionária.
A aposta em chips proprietários abre um fronte diferente do modelo de neoclouds que revendem capacidade de terceiros: quem controla o acelerador controla a precificação por job e a eficiência energética por operação. A meta de 500 MW até 2027 é comparável ao que grandes provedores de nuvem alocam em expansão de capacidade num único ciclo de CapEx. Se a demanda por inferência e treinamento de IA continuar crescendo no ritmo atual, o gargalo tende a ser menos o capital e mais a disponibilidade simultânea de chips, energia e licenças ambientais para construir nessa escala.
Fontes: InfoMoney • CXO Voice • Let’s Money • Let’s Money