Open Finance e IA impulsionam nova aposta dos bancos em educação financeira
Bancos e fintechs ampliam investimentos em IA, Open Finance e ferramentas personalizadas para ajudar consumidores a planejar melhor a própria vida financeira
Pix, Open Finance e aplicativos bancários consolidaram a digitalização financeira no Brasil. Agora, bancos e fintechs tentam avançar em outra frente: ajudar consumidores a organizar melhor a própria vida financeira.
Impulsionadas por regras do Banco Central, especialmente a Resolução Conjunta nº 8, que amplia a responsabilidade das instituições na educação financeira e prevenção ao superendividamento, empresas do setor têm investido em inteligência artificial para oferecer orientação personalizada dentro dos aplicativos.
Dados do Banco Central indicam que, em uma escala que varia de 0 a 100, o nível médio de letramento financeiro dos brasileiros é de 59,6. Considerando esse cenário, apesar do avanço da infraestrutura digital no sistema financeiro, a adoção de tecnologia não se converteu automaticamente em melhor organização financeira da população.
Para Murilo Rabusky, diretor de Negócios da Lina Open X, o setor vive uma mudança estrutural. “Nos últimos anos, os bancos concentraram esforços na digitalização das operações. Agora, a combinação entre novas exigências regulatórias e um consumidor mais consciente mostra que isso, sozinho, já não é suficiente. O próximo movimento do setor é transformar cada vez mais dados financeiros em orientação prática, com o objetivo de ajudar o cliente a tomar decisões melhores no dia a dia.”
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Segundo ele, o setor agora tenta transformar volume de dados em orientação financeira prática. “O consumidor faz Pix, transfere dinheiro, paga contas e resolve a vida pelo celular. O que ainda falta é transformar os aplicativos bancários em ferramentas capazes de orientar o cliente em recomendações personalizadas, e não apenas executar operações.”
Educação financeira passa a fazer parte da estratégia
O movimento também está diretamente ligado à preocupação do mercado com a inadimplência e a previsibilidade de comportamento dos consumidores. Na avaliação de Murilo, a educação financeira passou a ser interpretada como instrumento de eficiência do próprio sistema financeiro. “Quando o cliente entende melhor sua realidade financeira, o banco reduz risco de crédito, melhora relacionamento e aumenta retenção. Além de pauta social, a educação financeira virou uma questão estratégica.”
O especialista afirma que isso ajuda a explicar por que bancos e fintechs passaram a investir em inteligência artificial aplicada ao cotidiano financeiro dos usuários. “O consumidor não quer mais dashboards complexos. O que ele realmente quer é saber se pode gastar, se está se endividando, se aquele parcelamento compromete o mês seguinte. A IA entra justamente para contextualizar esses dados”, diz.
Open Finance pode ampliar acesso à orientação financeira personalizada Além de ampliar a integração entre instituições financeiras, o Open Finance vem sendo visto pelo setor como uma ferramenta capaz de tornar a orientação financeira mais personalizada.
Na prática, o sistema permite que diferentes instituições autorizadas acessem o histórico financeiro do cliente para oferecer serviços mais personalizados. Isso pode incluir desde ferramentas de controle de gastos e alertas de orçamento até sugestões de crédito mais adequadas ao perfil do consumidor. Hoje, o Open Finance conta com mais de 186 milhões de consentimentos ativos, segundo dados do dashboard oficial do sistema em março de 2026.
Para Murilo Rabusky, o avanço do modelo depende justamente da capacidade de transformar dados em orientação financeira útil e acessível. “O Open Finance cria a oportunidade de oferecer uma experiência financeira mais personalizada e útil para o consumidor. Com mais integração entre dados e instituições, as pessoas podem acompanhar melhor seus gastos, comparar serviços com mais clareza e receber recomendações mais alinhadas à própria realidade financeira.”
IA amplia personalização e orientação financeira nos aplicativos bancários Instituições financeiras passaram a incorporar ferramentas baseadas em inteligência artificial para oferecer experiências mais personalizadas e ampliar o suporte à organização financeira dos clientes. A tecnologia pode analisar hábitos financeiros, identificar padrões de consumo, enviar alertas de gastos e sugerir formas de planejamento financeiro mais adequadas ao perfil de cada usuário.
A expectativa do setor é que recursos desse tipo ajudem os consumidores a visualizar melhor os gastos, planejar pagamentos e encontrar serviços mais adequados ao próprio perfil financeiro. Essa transformação deve ganhar força nos próximos anos, especialmente considerando que Pix e serviços digitais já se tornaram amplamente acessíveis no sistema bancário.
“A digitalização do sistema bancário já aconteceu. Agora, bancos e fintechs tentam transformar essa infraestrutura em ferramentas mais úteis para o cotidiano financeiro do consumidor”, conclui Murilo Rabusky.