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Pix, Open Finance e IA: como essas tecnologias se conectam e impactam o futuro dos pagamentos?

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· 3 min

Atualizado em

Imagem: Magnific

Por Murilo Rabusky, Diretor de Negócios da Lina Open X

O sistema financeiro brasileiro já passou por duas mudanças importantes nos últimos anos. O Pix tornou os pagamentos instantâneos, enquanto o Open Finance permitiu o compartilhamento de dados financeiros entre instituições, mediante autorização do cliente.

A escala dessas duas infraestruturas ajuda a explicar por que o Brasil está bem posicionado para a próxima etapa. O Pix já ultrapassou 170 milhões de pessoas físicas usuárias e registrou mais de 7,3 bilhões de transações em agosto de 2026, segundo o Banco Central. O Open Finance, por sua vez, chegou a 240 milhões de consentimentos ativos.

Com pagamentos e dados conectados, surge uma nova possibilidade: usar inteligência artificial para interpretar informações financeiras e executar ações a partir delas.

Do dado à decisão

O Open Finance não se resume à portabilidade de dados. Com autorização do cliente, instituições podem acessar informações como renda, histórico de pagamentos, compromissos financeiros e produtos contratados. Esses dados permitem uma visão mais completa do perfil e do momento de cada consumidor.

A inteligência artificial pode usar esse contexto para identificar padrões, comparar opções e responder a uma intenção específica. Em vez de procurar uma função no aplicativo, o cliente pode simplesmente dizer o que quer fazer.

Essa lógica leva ao conceito de pagamento agêntico. Nesse modelo, um agente de IA pode, com autorização do usuário, entender uma solicitação, consultar informações, avaliar alternativas e realizar uma transação dentro de limites previamente definidos.

A diferença para um assistente convencional está na capacidade de agir. A IA deixa de apenas responder ou recomendar e passa a participar da transação.

Uma nova relação com o cliente

Essa mudança pode alterar também a forma como os consumidores se relacionam com bancos, fintechs e outros serviços financeiros.

Hoje, o cliente escolhe uma instituição e usa seu aplicativo ou site para realizar uma operação. Com agentes de IA, ele poderá informar diretamente o que pretende fazer ( comprar, pagar, transferir ou contratar) e delegar parte da execução.

Isso pode deslocar a competição da interface para a infraestrutura. As instituições precisarão não apenas oferecer uma boa experiência de conversa, mas garantir que o agente tenha acesso seguro aos dados, identifique corretamente o usuário e respeite suas autorizações.

Um estudo da Mastercard sobre o impacto do compartilhamento de dados financeiros estima que o Brasil deixa de capturar uma oportunidade equivalente a 6,13% da receita anual devido às limitações no acesso a informações financeiras. O número não representa uma receita que seria automaticamente recuperada, mas dimensiona o potencial econômico de usar melhor os dados financeiros.

É nesse ponto que a inteligência artificial pode ampliar o valor do Open Finance: ao cruzar informações e transformá-las em decisões e ações.

Confiança como ponto essencial

Dar à IA acesso a informações financeiras é diferente de permitir que ela movimente dinheiro. Quanto maior a autonomia do agente, maior a necessidade de mecanismos de identidade, consentimento, autenticação, limites e rastreabilidade.

O desafio será garantir que o agente execute apenas o que o usuário autorizou, nas condições estabelecidas por ele.

Isso é especialmente importante no setor financeiro porque um erro não produz apenas uma resposta incorreta. Pode resultar em uma transação indevida, perda financeira ou exposição de dados. Por isso, a expansão dos pagamentos agênticos dependerá tanto da tecnologia quanto da segurança e da governança.

O próximo passo

O Brasil já tem parte importante da infraestrutura necessária para essa evolução. O Pix oferece pagamentos instantâneos em escala, e o Open Finance permite o compartilhamento autorizado de dados.

A inteligência artificial acrescenta uma nova camada: a capacidade de interpretar essas informações. Os agentes acrescentam outra: a possibilidade de transformar essa interpretação em ação.

O resultado pode ser uma mudança na forma de acessar serviços financeiros. Em vez de navegar por produtos e funções, o consumidor poderá definir uma intenção e delegar sua execução a um agente.

A tecnologia ainda precisa avançar em segurança, regulação e confiança. Mas a combinação entre pagamentos instantâneos, dados financeiros e inteligência artificial cria as condições para uma nova geração de serviços financeiros — menos centrada em aplicativos e mais orientada pelas necessidades do cliente.

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