As tags de pedágio viraram vitrine dentro dos apps de Itaú, Nubank, C6, Inter e Sicoob. Somadas, porém, as cinco etiquetas bancárias ficam com cerca de 4,5% do que passa pelas praças no recorte da Klavi, enquanto a Sem Parar abocanha 72,9%.
Quem move o valor nas tags de pedágio
| Player |
Parcela do valor movimentado |
| Sem Parar |
72,9% |
| ConectCar (sozinha) |
4,8% |
| Tags de bancos (juntas) |
~4,5% |
| Nu Tag |
~1,8% do total |
Participação no valor movimentado, segundo o Radar Competitivo da Klavi (via Open Finance), no recorte analisado. Fonte: Veja
O mapa do valor movimentado
O Radar Competitivo da Klavi, que observa transações captadas pelo Open Finance, escancara uma distância larga entre veteranas e recém-chegadas. Sozinha, a Sem Parar leva 72,9% do total analisado. A ConectCar, com 4,8%, já supera todo o bloco bancário, que reunido chega a perto de 4,5%.
No pelotão dos bancos, o Nubank largou na frente: a Nu Tag puxa perto de 40% do volume do grupo, algo como 1,8% de tudo o que foi apurado. O avanço reforça a estratégia da fintech de empilhar produtos no app além das finanças, agora com a etiqueta no para-brisa.
Quem é dono da estrada por trás da tag
Por trás da disputa há um detalhe pouco visível: quase nenhum banco montou sozinho os trilhos do negócio. Nu Tag e Inter Tag rodam sobre a estrutura da Greenpass, responsável pela marca white label Taggy. O C6 apoia-se na Veloe. Já a Tag Itaú corre na rede da ConectCar, controlada pelo próprio banco e pela Porto.
Santander e Caixa optaram por um atalho: distribuem etiquetas que rodam na malha da própria Sem Parar. Ou seja, enquanto brigam pelo relacionamento com o motorista, os bancos acabam alimentando também a rede de distribuição das especialistas em pagamento de rodovias, que continuam processando o dinheiro por baixo da marca.
O que observar
O momento pesa porque o pedágio sem cancelas ganha corpo. Nas concessões de rodovia federal, o regulador do setor já registra 52 pontos de cobrança sem cancela em nove trechos, com desconto previsto para quem usa tag em contratos específicos. Nesse desenho, a etiqueta deixa de ser só um jeito de escapar da fila e passa a garantir o débito da passagem; sem ela, o motorista tem de regularizar cada trecho depois, direto com a concessionária.
A pergunta que fica é se as instituições financeiras vão capturar também o processamento por trás da tag, hoje ancorado nas operadoras que abriram o mercado, ou se seguirão apenas colando a marca no para-brisa. Para as especialistas em pagamentos rodoviários, cada banco novo é distribuição extra e, ao mesmo tempo, um concorrente na relação com o motorista. Vale acompanhar se a expansão do free flow acelera a verticalização por parte dos bancos ou consolida ainda mais as donas da infraestrutura.
Fontes: Veja • Let’s Money • Let’s Money