Banco Central revisa parcerias de dados no Open Finance
Banco Central revisa as parcerias de dados no Open Finance que levam informação a empresas de fora do ecossistema, com conclusão prevista para dezembro.
O arranjo que leva dados do Open Finance a empresas de fora do ecossistema entrou na fila de revisão do Banco Central, com conclusão prevista para dezembro, informou o Valor Econômico. O prazo cai sobre um sistema que, em 31 de julho de 2026, reunia 208,79 milhões de consentimentos ativos.
O que o BC quer olhar nas parcerias de dados no Open Finance
Quem não é participante direto chega ao dado do cliente por um caminho hoje permitido: a informação passa por uma instituição que já tem autorização. É esse caminho que entra em exame.
Além da responsabilidade formal de quem participa, o regulador quer enxergar como a parceria roda na operação e quanto de controle sobra para quem autorizou o compartilhamento.
“A parceria de dados no open finance está passando por revisão”, afirmou Mardilson Queiroz, chefe do Departamento de Regulação do BC.
O objetivo, segundo ele, é encaixar esse consentimento na jornada desenhada pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). O prazo declarado é dezembro.
Em julho de 2026, o setor esperava regra do BC sobre venda de dados, na expectativa de um texto que delimitasse o destino da informação quando ela sai do ambiente do Open Finance.
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Da infraestrutura para a qualidade do dado
Seis anos depois da largada, a régua mudou de lugar. “A infraestrutura está pronta e, ao longo do tempo, fomos incluindo novos focos”, afirmou Janaína Attie, consultora do Banco Central. O que preocupa agora está um degrau adiante: “Nada adianta se não temos os dados transitados com a qualidade devida.” No início de setembro, o regulador indicou que vai dar mais peso à qualidade da entrada de dados.
Ana Carla Abrão, CEO da Associação Open Finance Brasil, chega ao mesmo ponto por outro caminho. Ela considera vencida a primeira onda do projeto e credita ao país uma base capaz de sustentar aplicações novas. “O maior desafio é garantir que tudo funcione com segurança, transparência, efetividade e qualidade.”
Na mesma amostra, a base de clientes aderentes chegou a 44,9 milhões, alta de 90%. Para o ecossistema inteiro, a perspectiva relatada pelo Valor é chegar a 300 milhões de consentimentos.
Open Finance na Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária
No crédito, a portabilidade é o vetor que mais mexe com o jogo. Em 1º de setembro de 2026, no Zetta Summit, Abrão disse ao Poder360 que o recurso é o próximo passo prático do sistema. O atrito está no Ressarcimento de Custos de Originação, o RCO, que paga o credor original em parte das operações portadas. Rafaela Nogueira, do Nubank, defende revisão do desenho, que virou barreira competitiva na avaliação dela. “Hoje, 95% das operações são digitais. O custo marginal não faz mais sentido”, afirmou. Em fevereiro de 2026, o Open Finance levou a portabilidade de crédito ao ambiente digital.
O que observar
Quem mais sente a revisão são as instituições que funcionam como porta de entrada de dados para empresas de fora do ecossistema. São elas que assinam contrato, respondem pelo consentimento e teriam de redesenhar fluxo caso cada permissão passe a ficar amarrada a uma parceria específica. Vale acompanhar se o prazo de dezembro se mantém e se a adequação vem com transição para contratos vigentes, porque refazer jornada de consentimento pesa mais em quem opera com margem apertada e volume alto.
A outra pergunta é se qualidade de dado vira indicador cobrado, e não só intenção declarada. Se o volume de consentimentos cresce mais rápido que a compreensão de quem autoriza, o risco sai do terreno técnico e vira risco de confiança: revogação em série cobra caro de quem montou modelo de crédito em cima desse fluxo.