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BC põe stablecoins, BaaS e staking na próxima agenda cripto

Stablecoins, Banking as a Service e staking devem avançar na agenda cripto do Banco Central nos próximos 12 meses, segundo Nagel Paulino, do BC.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

Com as regras dos prestadores de serviços de ativos virtuais já definidas, o Banco Central voltou a atenção para a fase seguinte de sua agenda de criptoativos. Stablecoins, Banking as a Service (BaaS) e staking figuram entre as prioridades para os próximos 12 meses, segundo Nagel Paulino, chefe de divisão do Banco Central, em painel do Digital Assets Conference (DAC) 2026.

A construção de um caminho regulatório para as stablecoins encabeça a lista, tema que o BC já vinha debatendo com o mercado. “Acho que o ano que vem é provável que a gente já tenha uma definição clara desse caminho”, afirmou Paulino.

A próxima etapa da agenda cripto do BC

Eixo Situação apontada no DAC
Stablecoins Caminho regulatório em discussão, definição esperada no ano seguinte
Banking as a Service (BaaS) Conexão das regras de ativos virtuais à regulamentação de BaaS
Staking Fora do arcabouço inicial, à espera de balizas mais precisas
Horizonte Próximos 12 meses

Eixos da agenda regulatória de criptoativos do Banco Central. Fonte: Banco Central

Stablecoins, BaaS e staking na fila

A segunda frente conecta as normas de ativos virtuais à regulamentação de Banking as a Service. Com o conjunto de regras consolidado e o avanço dos pedidos de autorização, o regulador vê espaço para desenhar uma estrutura de BaaS voltada ao setor. O terceiro item é o staking, deixado de fora do arcabouço inicial e para o qual o BC quer definir balizas mais precisas.

Paulino observou que a entrada das empresas de ativos virtuais no perímetro regulatório tende a aproximá-las do sistema financeiro tradicional, o que inclui trilhos como Pix, Open Finance e o próprio BaaS. “Quando você entra nesse ecossistema de regulação bem definido de um Banco Central ou de uma CVM […] você também passa a se integrar àquele sistema financeiro tradicional que já está estabelecido”, disse.

Para ele, a moldura regulatória amplia a segurança jurídica e facilita o diálogo com investidores institucionais e estrangeiros. “Para muitos players de mercado, você só consegue se relacionar se tiver um regulador bem definido. Quando você vai chegar em um institucional, vai chegar em um investidor estrangeiro, se você não tiver aquele timbre específico de qualificação de um regulador, ele sequer tem condições de negociar com você ou às vezes até evita”, explicou.

Questionado sobre quantas empresas seguiriam no mercado depois do processo de autorização, o chefe de divisão evitou projeções, mas garantiu que “o Banco Central já está preparado para receber todas as instituições que tenham interesse de pleitear autorização”. Ele reforçou que as regras brasileiras partiram das atividades e seus riscos, e não da tecnologia empregada, o que preserva espaço para novos modelos de negócio.

“O mercado cripto recomeça”, diz Mercado Bitcoin

No mesmo painel, Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin Portugal, comparou o processo brasileiro ao da União Europeia, onde a empresa se adequa ao MiCA. Para ele, a vigência das novas regras marca o início de uma etapa de aperfeiçoamento. “O mercado cripto recomeça dia 31 de outubro”, afirmou. “É importante para todos os participantes que recomecem a dialogar com o Banco Central sobre o que funcionou, o que não funcionou, quais melhorias serão necessárias fazer na norma.”

Rabelo apresentou no DAC dados sobre o efeito da regulação europeia: havia mais de 8 mil prestadores de serviços cripto na União Europeia, enquanto pouco mais de 300 empresas passaram pela primeira etapa de adequação às novas regras. Nos Estados Unidos, segundo Jason, especialista no mercado norte-americano que participou de forma remota, o cenário segue fragmentado, com exigências de licenciamento que variam entre os estados. O avanço mais recente está nas stablecoins de pagamento, com regras de lastro, reservas, resgate, segregação de recursos e prevenção à lavagem de dinheiro, enquanto o país ainda discute um marco federal mais amplo.

O que observar

A definição do caminho para as stablecoins é o marco mais aguardado dos próximos 12 meses, com efeito sobre emissores, prestadoras de serviços de ativos virtuais e instituições que já operam dentro do perímetro regulatório. Vale acompanhar como o Banco Central vai amarrar as regras de ativos digitais ao Banking as a Service, que balizas definirá para o staking e quantas empresas concluirão o processo de autorização a partir de 31 de outubro, data apontada no evento como marco de recomeço do mercado.

Fontes: Banco CentralMercado Bitcoin

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