Ir para o conteúdo

CriptoCripto · Pagamentos

Stablecoins crescem 3,3 vezes no Brasil, ritmo do Pix

As operações com stablecoins no Brasil saltaram de R$ 120 bilhões para R$ 404,8 bilhões entre 2022 e 2025, avanço próximo ao crescimento do Pix no período.

por

· 4 min

Atualizado em

Foto: Divulgação

O volume de stablecoins no Brasil cresceu no mesmo ritmo do Pix nos últimos anos. Entre 2022 e 2025, as operações com stablecoins passaram de R$ 120 bilhões para R$ 404,8 bilhões, avanço de aproximadamente 3,3 vezes. No mesmo período, o volume movimentado pelo Pix saiu de R$ 10,9 trilhões para R$ 35,3 trilhões, crescimento de cerca de 3,2 vezes. Os números, levantados a partir de dados da Receita Federal, foram apresentados durante o Digital Assets Conference (DAC 2026) e ajudam a dimensionar a velocidade com que esses ativos vêm ganhando espaço no país.

Foi nesse contexto que Rodrigo Stallone, da Tether; John Delaney, da Crown; Fabrício Tota, do Mercado Bitcoin; e Juan Pablo, da Sphere discutiram o estágio atual do mercado no painel “The state of stablecoins”, durante o DAC 2026. A conversa percorreu a evolução das stablecoins, desde seu uso no trading até sua entrada na infraestrutura de pagamentos, remessas internacionais e liquidação financeira.

Stablecoins e Pix no Brasil (2022-2025)

Indicador Dado
Stablecoins (2022 a 2025) de R$ 120 bi para R$ 404,8 bi
Crescimento das stablecoins 3,3 vezes
Pix (2022 a 2025) de R$ 10,9 tri para R$ 35,3 tri
Crescimento do Pix 3,2 vezes
Usos em avanço pagamentos, remessas e liquidação

Dados levantados a partir da Receita Federal.

Do trading à liquidação do mundo real

Para Fabrício Tota, VP de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin, os dados refletem uma mudança estrutural na dinâmica do mercado brasileiro. Em 2019, as stablecoins representavam apenas 3% do volume reportado de negociações no Brasil; hoje, esse número ultrapassa 80%, sendo cerca de 90% desse montante concentrado em Tether (USDT).

Tota enfatizou que o avanço das moedas estáveis vai além da tecnologia das redes e depende da integração com agentes financeiros tradicionais: “Quando pensamos em pagamentos, não basta olhar para o lado da blockchain. Trata-se de usar PSPs, ter licenças, focar em conformidade e integrar com infraestruturas tradicionais. A maioria das empresas que continuam vivas hoje são aquelas que conseguiram buscar competências que vão além do universo meramente ‘cripto'”.

Segregação patrimonial e o potencial do Real Tokenizado

Com o mercado brasileiro focado em moedas fiduciárias fortes, John Delaney explicou o motivo de ter fundado a Crown para emitir a BRLV, stablecoin pareada ao Real. Segundo Delaney, a combinação de uma economia forte e sem histórico recente de dolarização com uma das maiores ofertas monetárias do mundo (M2 superior a US$ 1 trilhão) cria a oportunidade ideal para o crescimento de stablecoins locais.

O executivo prevê um salto substancial para a moeda brasileira on-chain: “Se pensarmos em um cenário de dez anos em que cerca de 8% da circulação de reais esteja em formato de stablecoins, estamos falando de uma emissão potencial de R$ 1 trilhão em stablecoins de Real”. Delaney ressaltou ainda a estrutura de proteção das reservas da BRLV, garantindo segregação patrimonial para que os detentores tenham acesso direto aos seus fundos mesmo em cenários adversos com a emissora.

Conformidade como pré-requisito e visão para 2030

Abordando a maturidade regulatória e as operações transfronteiriças, Juan Pablo destacou que a Sphere adota uma postura compliance-first para garantir a segurança das transações institucionais. Ele pontuou que o mercado regional sofreu por anos com lacunas e ambiguidades dos reguladores locais, mas prevê uma virada de chave nos próximos anos.

“Os governos e reguladores estão voltando a debater ativamente a regulação de stablecoins porque entenderam que elas vieram para ficar. Nos próximos anos, a grande maioria dos pagamentos transfronteiriços e remessas usará stablecoins em busca de liquidação e liquidez instantâneas”, destacou Juan Pablo. Ao encerrar o painel, Rodrigo Stallone, da Tether, ponderou que o mercado vive sua terceira fase histórica, a da adoção institucional, na qual a stablecoin se firma como a camada base de liquidação (settlement layer) não apenas para criptoativos, mas para a tokenização de ativos do mercado de capitais tradicional.

O que observar

O ritmo de crescimento das stablecoins aproxima esses ativos do Pix como trilho de movimentação financeira no Brasil, com uso que migra do trading para pagamentos, remessas e liquidação. Vale acompanhar o avanço de stablecoins pareadas ao Real, como a BRLV, o grau de concentração no USDT e como reguladores da América Latina tratarão operações transfronteiriças.

Fontes: Receita Federal • Digital Assets Conference (DAC 2026)

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.