A Temenos lançou quatro produtos de IA integrados ao core e digital banking no TCF 2026: agentes, copilotos, estúdio conversacional e um agente antifraude para pagamentos instantâneos. A aposta é embutir inteligência diretamente nas plataformas dos bancos, não adicioná-la como camada externa.
Produtos de IA lançados pela Temenos no TCF 2026
Produto
Escopo
Conversational Studio for Digital
Criação de jornadas bancárias digitais em linguagem natural
Copilot for Workbench
Assistente de IA para desenvolvedores construírem extensões de plataforma
Copilot for Core
Suporte conversacional para gerentes e gestores de agência
FCM AI Agent for Instant Payments
Controles de crimes financeiros em pagamentos em tempo real
Produtos de IA lançados no TCF 2026. Fonte: Temenos
IA no núcleo, não na camada externa
Para Barb Morgan, CPTO da Temenos, a distinção é estratégica: “Os bancos não precisam de IA adicionada aos seus sistemas críticos. Eles precisam de inteligência integrada aos produtos e fluxos de trabalho em que já confiam.”
Os novos produtos expandem as interfaces conversacionais para o core banking, permitindo que gerentes de agência interajam com o sistema em linguagem natural e que desenvolvedores construam extensões de plataforma com auxílio de agentes de IA. No Brasil, Visa e Banco do Brasil já conduzem testes de compras autônomas feitas por agentes de IA, sinal de que a adoção avança tanto no front do consumidor quanto no núcleo operacional.
A abordagem de linguagem natural tem impacto direto na eficiência: os bancos podem projetar e lançar novas jornadas digitais sem depender de ciclos longos de desenvolvimento. O Conversational Studio for Digital cria um ambiente controlado para essas interações, o que mantém governança sobre o processo sem freiar a velocidade de inovação.
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Antifraude em pagamentos instantâneos como próxima fronteira
O FCM AI Agent for Instant Payments estende os controles de crimes financeiros para fluxos de pagamento em tempo real, um segmento em expansão acelerada globalmente. Como referência de desempenho da plataforma FCM lançada em 2025, a Temenos cita um banco de primeira linha que processa centenas de milhares de casos de triagem de sanções e automatiza mais de 20% dos alertas.
O movimento de antifraude com IA para bancos já tem casos equivalentes em outros mercados emergentes. Sam Abadir, diretor de pesquisa de Risco, Crimes Financeiros e Conformidade da IDC, aponta a questão central: “No setor bancário, a questão crucial não é mais se a IA pode ser aplicada, mas sim se ela pode ser governada em toda a linhagem de dados, comportamento do modelo e controles operacionais.”
O que observar
A incorporação de IA no core bancário reposiciona a governança como pré-requisito de adoção, não como etapa posterior. Fornecedores de plataformas bancárias que demonstrarem trilhas de auditoria claras e supervisão humana integrada tendem a ter vantagem em processos de seleção por instituições sujeitas a exigências regulatórias mais rígidas. Vale acompanhar se essa arquitetura de IA nativa se torna o padrão esperado no mercado de core banking ou se coexiste com abordagens modulares onde cada banco escolhe camadas externas de IA.
Para crimes financeiros em pagamentos instantâneos, a questão operacional é de latência: controles eficazes de sanções e fraude precisam operar em milissegundos para não comprometer a experiência do pagamento em tempo real. A métrica dos 20% de automação de alertas é um indicador relevante, mas o dado que o mercado precisará ver é a taxa de falsos positivos, que determina o custo operacional real e o impacto nos fluxos de pagamento legítimos.