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PYMNTS: Affirm, dos EUA, aprova crédito sem score FICO

O modelo transformer da Affirm, treinado com 14 anos de dados, aprovou 3,4% mais compras no teste inicial, com risco comparável ao de score FICO.

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Em anúncio compartilhado com exclusividade com o PYMNTS, a Affirm, fintech de crédito no ponto de venda dos Estados Unidos (EUA), informou ter colocado em produção nos checkouts do país um modelo de análise de crédito construído sobre a arquitetura transformer, a mesma família de inteligência artificial que sustenta os grandes modelos de linguagem. Em vez de depender apenas das medidas resumidas que um score de crédito condensa, o sistema lê a ordem e o momento dos eventos no histórico de cada consumidor e, com isso, passou a aprovar pedidos que a régua anterior da empresa recusaria, incluindo compradores com histórico curto e sem pontuação FICO.

No modelo de compre agora, pague depois, cada compra parcelada exige uma decisão de crédito em tempo real. O desafio de quem opera esse tipo de crédito no varejo é justamente avaliar quem tem pouco lastro registrado nos bureaus. Um score comprime o histórico em um único número, o que funciona quando existe um longo registro para resumir. Para quem tem ficha rala, sobra pouca informação, e a saída mais segura sempre foi negar. A leitura defendida pela Affirm é que a nova arquitetura enxerga padrões dentro e entre as contas de um mesmo consumidor, e como eles mudam ao longo do tempo, sem precisar desenhar antes uma métrica para cada padrão.

A Affirm no 4º trimestre fiscal

Indicador Resultado
Transações no trimestre 53 milhões (+41% na base anual)
Volume bruto de mercadoria (GMV) US$ 14,1 bilhões (+36%)
Valor médio do pedido queda de 4%
Consumidores ativos 27,8 milhões (+21%)
Transações por consumidor ativo (12 meses) 7,0 (+20%)

Números do quarto trimestre fiscal da Affirm. Fonte: PYMNTS

Aprovar mais sem afrouxar o risco

O modelo foi treinado com 14 anos de dados de empréstimo em nível de transação. No primeiro uso, a empresa direcionou a nova régua para liberar pedidos elegíveis que o sistema em vigor teria barrado. Segundo a própria Affirm, essas aprovações adicionais renderam 3,4% mais compras concluídas quando comparadas a um grupo de controle, com nível de risco tido como equivalente, e os empréstimos tiveram desempenho melhor do que uma expansão semelhante feita com os modelos anteriores. É um resultado autodeclarado de teste, ainda restrito ao recorte que a companhia mediu.

“Enxergar um histórico de crédito com mais clareza significa que podemos, de forma responsável, dizer sim a mais pessoas”, afirmou Libor Michalek, presidente da Affirm, no comunicado (em tradução livre). A empresa faz questão de dizer que a meta não é aprovar tudo, e sim acertar a decisão de cada compra, sem taxas de atraso ou tarifas ocultas. Para manter o transformer rápido o suficiente para rodar no caixa, a fintech desenvolveu um algoritmo próprio que preserva o mesmo nível de explicabilidade dos seus modelos tradicionais de aprendizado de máquina.

Volume maior, ticket menor

A troca de motor chega num momento em que os clientes recorrem à Affirm com mais frequência e para compras menores. As transações por consumidor ativo subiram e o valor médio do pedido caiu, um padrão que aponta para o uso do parcelamento como forma corriqueira de pagar o dia a dia, e não só como financiamento de uma compra grande esporádica. É o tipo de movimento que também aparece quando o crédito é embutido no fluxo de pagamento do consumidor.

O que observar

O caso interessa a fintechs de crédito, adquirentes e áreas de risco que tentam ampliar aprovação sem elevar a inadimplência. O ponto em aberto é se modelos de IA que leem o histórico de forma mais granular sustentam a promessa de aprovar mais gente com risco equivalente ao longo de um ciclo econômico completo, e como reguladores vão tratar a explicabilidade dessas decisões automatizadas de concessão de crédito.

Fontes: PYMNTSLet’s Money: Klarna fecha com Bolt e leva BNPL à mobilidade urbana

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