O Tetra Digital Group lançou o CADD, primeira stablecoin regulada lastreada 1:1 em dólar canadense emitida por uma instituição financeira, após aprovação do Conselho do Tesouro e do Ministério das Finanças de Alberta. A moeda já opera nas redes Base, Ethereum e Tempo, e mira liquidação corporativa transfronteiriça sem intermediação de bancos correspondentes.
Casos de uso institucionais do CADD
| Aplicação |
Benefício |
| Liquidação transfronteiriça |
Disponível 24/7, sem janelas bancárias |
| Tesouraria corporativa |
Transferências entre entidades em tempo real |
| Repasses em marketplaces |
Pagamentos programáveis via smart contract |
| Liquidação entre fintechs |
Sem atrasos de bancos correspondentes |
Casos de uso anunciados no lançamento. Fonte: PYMNTS
Aprovação regulatória e estrutura de reservas
A emissão do CADD é conduzida pela Tetra Trust Company por meio de sua agente, a CAD Digital, ambas subsidiárias do Tetra Digital Group. A estrutura aprovada em Alberta prevê reservas mantidas em instituições financeiras canadenses, com conformidade regulatória incorporada desde o início. “O CADD é emitido por uma instituição financeira regulamentada, com reservas mantidas no Canadá e conformidade incorporada desde o primeiro dia por uma empresa com o histórico mais longo do Canadá na operação de infraestrutura de ativos digitais regulamentada”, disse Didier Lavallée, fundador e CEO do Tetra Digital Group.
O projeto atraiu US$ 10 milhões em setembro de 2025, com participação de Wealthsimple, National Bank, Shopify, ATB Financial, Shakepay, Purpose Unlimited e Urbana Corporation. Em dezembro, Wealthsimple e National Bank realizaram transferências de CADD em testnet para validar a infraestrutura antes do lançamento comercial.
Stablecoins nacionais num mercado de dólar dominante
O CADD chega num momento em que stablecoins atreladas ao dólar americano concentram a maior parte dos fluxos de liquidação institucional global. Por ser denominado em dólares canadenses e regido pela legislação de Alberta, o token se posiciona como alternativa para fluxos bilaterais que hoje exigem conversão para USD como moeda intermediária. Em paralelo, redes de pagamento globais aceleram a integração de infraestrutura de stablecoins: a Visa avançou na adoção de stablecoins para pagamentos corporativos ao fechar parceria com infraestrutura especializada, reforçando a tendência de uso além dos criptoativos especulativos.
No segmento B2B, o movimento é mais antigo: a SquareFi lançou infraestrutura de stablecoins para liquidação entre empresas, buscando reduzir os custos e os prazos impostos pelo sistema de bancos correspondentes. O CADD segue lógica similar, mas com a diferença de ser emitido por uma instituição financeira formalmente regulamentada, não por uma fintech operando em área cinzenta.
O que observar
A questão central é de liquidez e adoção: uma stablecoin regulada em moeda nacional não-dólar consegue ganhar escala nos fluxos de tesouraria e liquidação internacional? A aprovação regulatória resolve o problema de credibilidade, mas a integração nativa nos sistemas de gestão de caixa de corporações e nos gateways de pagamento dos parceiros é o gargalo real. Provedores de tesouraria corporativa e plataformas de liquidação transfronteiriça B2B são os primeiros atores a sentir pressão para suportar o novo trilho.
Vale acompanhar se outros países com moedas relevantes replicarão o modelo de aprovação subnacional canadense, criando um ecossistema de stablecoins nacionais reguladas que fragmente os fluxos hoje concentrados em ativos indexados ao dólar. A disponibilização na Solana, prevista mas sem data definida, será o primeiro indicador de tração com desenvolvedores e fintechs de menor porte.
Fontes: PYMNTS • BNN Bloomberg • BusinessWire • Let’s Money