Ir para o conteúdo

Tecnologiatecnologia · Agentes de IA

Agentes de IA começam a executar processos dentro dos bancos

Bruno Samora, CPO da Matera, defende políticas, alçadas e rastreabilidade para dar autonomia aos agentes de IA em conciliação, fiscal e crédito.

por

· 4 min

Atualizado em

Shutterstock

Até onde um banco pode permitir que a inteligência artificial aja sozinha? A pergunta ganha relevância à medida que agentes especializados avançam da análise para a execução de processos que envolvem atividades críticas e movimentação de recursos. Em conciliação financeira, rotinas fiscais e operações de crédito, a tecnologia já interpreta informações, aciona fluxos e conclui etapas dentro dos sistemas bancários, o que amplia a automação e reforça a necessidade de definir limites para essa autonomia.

A diferença está no grau de participação da IA em cada atividade. Na conciliação financeira, os agentes podem ir além de identificar uma divergência entre registros e passam a considerar tempo de processamento, limites de tolerância, comportamento histórico e características de cada transação antes de determinar se uma ocorrência exige intervenção. Em rotinas fiscais, a tecnologia começa a assumir etapas como avaliação do aceite de notas e classificação fiscal. No crédito, o desenvolvimento avança sobre o monitoramento de recebíveis, a atualização de status e a formação de pacotes para antecipação. A IA deixa de atuar apenas sobre a informação e passa a participar da execução.

Onde os agentes já executam e o que precisa de controle

Frente O que muda
Conciliação financeira Avalia divergências com tempo, tolerância e histórico antes de acionar intervenção
Rotinas fiscais Assume aceite de notas e classificação fiscal
Crédito Monitora recebíveis, atualiza status e forma pacotes para antecipação
Controles exigidos Identidade, autorização, rastreabilidade, auditoria e consistência

Pontos-chave informados pela empresa. Fonte: Matera

Autonomia precisa vir com controle

Esse avanço não significa entregar autonomia irrestrita aos agentes. Para Bruno Samora, CPO da Matera, o próximo passo está em estabelecer diferentes níveis de atuação de acordo com a criticidade de cada processo. “Quando estamos falando de uma plataforma que trabalha com dinheiro, autonomia precisa vir acompanhada de controle. O banco pode estabelecer políticas e alçadas para definir o que um agente está autorizado a executar sozinho e em quais situações a validação humana continua sendo necessária. Não se trata de retirar as pessoas da decisão, mas de permitir que a execução avance sem renunciar à governança”, afirma. Nos modelos em desenvolvimento, o grau de intervenção humana pode variar conforme as regras e alçadas estabelecidas por cada instituição.

Rastreabilidade entra na arquitetura

A discussão ganha outra dimensão à medida que os agentes passam a interagir diretamente com sistemas bancários. Diferentemente de aplicações em que uma resposta imprecisa pode ser descartada pelo usuário, processos financeiros exigem previsibilidade e capacidade de reconstruir depois o caminho percorrido pela tecnologia. Isso significa identificar qual agente realizou determinada ação, verificar se tinha autorização para executá-la e manter registros que permitam auditar o processo e explicar por que aquele resultado foi produzido. Identidade, autorização, rastreabilidade, auditoria e consistência passam a fazer parte da arquitetura necessária para ampliar a autonomia da IA no sistema financeiro.

A mudança também exige adaptações na arquitetura tecnológica das instituições. Sistemas bancários foram construídos para que pessoas operassem aplicações, não para receber comandos e coordenar atividades de agentes. Para avançar, as plataformas precisam incorporar mecanismos que permitam a atuação dos agentes sem abrir mão dos controles do ambiente financeiro, inclusive quando a inteligência usada pela instituição é desenvolvida fora do próprio core.

A visão de Banco Agêntico

É essa combinação entre capacidade de execução e mecanismos de controle que começa a dar forma ao que a Matera chama de Banco Agêntico. A visão não pressupõe que toda decisão bancária seja transferida para algoritmos, mas que uma parcela crescente da execução seja conduzida por agentes especializados dentro de limites previamente estabelecidos. “A tendência é que muitos processos possam se tornar cada vez mais autônomos, mas isso não significa que todas as decisões também serão. Onde a decisão humana importa, ela precisa continuar existindo. O que muda é quanto do trabalho necessário para chegar até ela e executar o que foi definido ainda precisará depender de intervenção manual”, conclui Samora.

O que observar

O tema interessa a bancos e fintechs que buscam ampliar a automação e às áreas de tecnologia, risco e compliance que precisam garantir governança sobre o que os agentes executam. Vale acompanhar como cada instituição vai desenhar as políticas e alçadas que separam o que a IA conclui sozinha do que segue exigindo validação humana.

Fontes: MateraLet’s Money: Visa e BB testam compras feitas por agentes de IA

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasNotícias
Ver a editoria

Mais artigos de Notícias

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.