Até onde um banco pode permitir que a inteligência artificial aja sozinha? A pergunta ganha relevância à medida que agentes especializados avançam da análise para a execução de processos que envolvem atividades críticas e movimentação de recursos. Em conciliação financeira, rotinas fiscais e operações de crédito, a tecnologia já interpreta informações, aciona fluxos e conclui etapas dentro dos sistemas bancários, o que amplia a automação e reforça a necessidade de definir limites para essa autonomia.
A diferença está no grau de participação da IA em cada atividade. Na conciliação financeira, os agentes podem ir além de identificar uma divergência entre registros e passam a considerar tempo de processamento, limites de tolerância, comportamento histórico e características de cada transação antes de determinar se uma ocorrência exige intervenção. Em rotinas fiscais, a tecnologia começa a assumir etapas como avaliação do aceite de notas e classificação fiscal. No crédito, o desenvolvimento avança sobre o monitoramento de recebíveis, a atualização de status e a formação de pacotes para antecipação. A IA deixa de atuar apenas sobre a informação e passa a participar da execução.
Onde os agentes já executam e o que precisa de controle
| Frente | O que muda |
|---|---|
| Conciliação financeira | Avalia divergências com tempo, tolerância e histórico antes de acionar intervenção |
| Rotinas fiscais | Assume aceite de notas e classificação fiscal |
| Crédito | Monitora recebíveis, atualiza status e forma pacotes para antecipação |
| Controles exigidos | Identidade, autorização, rastreabilidade, auditoria e consistência |
Pontos-chave informados pela empresa. Fonte: Matera
Autonomia precisa vir com controle
Esse avanço não significa entregar autonomia irrestrita aos agentes. Para Bruno Samora, CPO da Matera, o próximo passo está em estabelecer diferentes níveis de atuação de acordo com a criticidade de cada processo. “Quando estamos falando de uma plataforma que trabalha com dinheiro, autonomia precisa vir acompanhada de controle. O banco pode estabelecer políticas e alçadas para definir o que um agente está autorizado a executar sozinho e em quais situações a validação humana continua sendo necessária. Não se trata de retirar as pessoas da decisão, mas de permitir que a execução avance sem renunciar à governança”, afirma. Nos modelos em desenvolvimento, o grau de intervenção humana pode variar conforme as regras e alçadas estabelecidas por cada instituição.








