A AIR, empresa de segurança para agentes de inteligência artificial, veio a público em 1º de setembro com US$ 50 milhões em capital semente. A quantia saiu de duas rodadas fechadas com semanas de diferença, e o produto mira um ponto cego corporativo: os plug-ins e as habilidades que os agentes usam.
A AIR na saída do stealth
| Item |
Dado |
| Captação total |
US$ 50 milhões em duas rodadas semente |
| Primeira rodada |
US$ 10 milhões, liderada pela Sequoia Capital |
| Segunda rodada |
US$ 40 milhões, liderada pela Greenoaks Capital |
| Clientes |
Mais de 20, cerca de um quarto deles grandes empresas |
| Complementos barrados |
Cerca de 27% dos avaliados na internet |
| Equipe |
Cerca de 40 pessoas |
Dados da rodada e da operação da AIR, informados pela empresa. Fonte: TechCrunch
O elo fraco da segurança de agentes de IA
Agentes corporativos usam plug-ins de terceiros e servidores MCP (Model Context Protocol, o padrão que liga um agente a ferramentas e dados fora do próprio modelo), além de habilidades que executam tarefas em bases internas. Cada peça dessas é código de fora rodando com a permissão do agente. Pela leitura da AIR, esse software entra sem a revisão que hoje se exige de um driver ou de um aplicativo, e o vetor de ataque deixa de ser o agente e passa a ser aquilo que ele lê.
“No início dos anos 2000, sempre que você instalava um driver, o driver não precisava ser assinado. Hoje, toda vez que você instala um driver, você vê uma assinatura dizendo quem assinou […] Você não tem isso com habilidades, plugins ou MCPs”, disse Yair Saban, CEO e cofundador da empresa, ao TechCrunch. A AIR foi fundada por ele e por Niv Hoffman, CTO, ambos veteranos da Unidade 8200, o corpo de inteligência militar de Israel, segundo o SiliconANGLE.
Serviços financeiros puxam a demanda
A empresa diz ter mais de 20 clientes, cerca de um quarto deles grandes companhias, e afirma que a procura mais forte veio de setores muito regulados, com destaque para serviços financeiros e farmacêuticas. Também é da própria AIR o número de que a plataforma barra hoje cerca de 27% dos complementos e habilidades que encontra na internet, sem auditoria externa. Bogomil Balkansky, sócio da Sequoia Capital, disse ao TechCrunch que o desafio “não é um problema de varredura, é um problema de reverificação contínua”. A categoria já tem concorrentes com caixa: a Zenity captou US$ 125 milhões em uma rodada Série C em agosto de 2026.
Essa camada já chegou ao mercado financeiro. No Brasil, o Let’s Money mostrou que a Belvo lançou um MCP que conecta agentes de IA ao Open Finance, e a corrida dos bancos por capacidade de defesa apareceu quando o Bank of America fechou acordo para comprar uma consultoria de cibersegurança no Reino Unido. A governança dessa camada, porém, segue em aberto. Em entrevista ao podcast Let’s Money em outubro de 2025, Ana Cláudia Safar, da AWS, afirmou: “Todo mundo se preocupa com isso, mas a gente ainda como comunidade não se organizou para que a gente leve essa pauta para os órgãos reguladores”.
O que observar
O ponto a acompanhar não é o tamanho do cheque, e sim o que as áreas de risco vão passar a exigir de quem vende agentes. Se habilidades, plug-ins e servidores de contexto forem tratados como fornecedores terceirizados, a exigência prática vira um inventário: quem instalou, o que o componente lê, quem responde quando ele muda sozinho. Vale observar se auditoria interna e reguladores começam a pedir esse rastro em instituições financeiras.
A segunda pergunta é de mercado. Provedores de modelos e plataformas de agentes tendem a embutir filtros próprios, e a dúvida é se bancos e instituições de pagamento aceitam a checagem do próprio fornecedor ou se preferem uma camada independente, como já acontece em antivírus e em firewall de rede. Se a segunda hipótese prevalecer, a conta some do orçamento de inovação e entra na linha de segurança da informação, com o ciclo de compra mais longo que isso costuma ter.
Fontes: TechCrunch • PYMNTS • SiliconANGLE • AIR • Let’s Money Podcast