A fintech ARQ levanta rodada de US$ 70 milhões com participação da Sequoia Capital, Founders Fund e Kaszek. A antiga DolarApp mira se tornar o banco do dia a dia da alta renda no Brasil, apostando em taxas competitivas e infraestrutura baseada em stablecoins, deixando os benefícios tradicionais como lounges em segundo plano.
A rodada chamou atenção pelos nomes envolvidos, especialmente a Sequoia Capital, que voltou a atuar de forma ativa na América Latina. Segundo Leonardo Bernini, diretor-geral do ARQ no Brasil, em entrevista ao Startups, a escolha dos investidores foi feita com muito cuidado diante da alta demanda.
Proposta de valor focada no core
A estratégia da fintech se diferencia dos concorrentes ao evitar a disputa por clientes baseada em lounges de aeroportos e benefícios de viagem. “Benefícios são serviços acessórios. Se depois a gente consegue ter um lounge legal, é bônus”, afirma Leonardo.
A proposta inclui taxas de conversão até 10 vezes menores que o mercado, investimentos sem corretagem em ações e ETFs americanos, e cashback direto em dólar. O cartão de crédito internacional Prestige, metalizado, oferece limite de até US$ 50 mil. Para clientes desse segmento, a remuneração do saldo em reais chega a 120% do CDI.
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Stablecoins como infraestrutura operacional
A eficiência de custos vem do uso de stablecoins como base da infraestrutura bancária, embora a empresa não coloque a tecnologia no centro da comunicação. “Construímos a infraestrutura bancária em cima de stablecoins por questão de eficiência operacional”, explica Leonardo.
Na prática, o cliente abre conta em reais com integração ao Pix e converte saldo para dólar ou euro digital dentro do aplicativo. O cartão, emitido no exterior, é isento de IOF. Porém, o executivo mantém pragmatismo sobre a escolha tecnológica: se houver infraestrutura mais eficiente no futuro, a empresa mudará.
Brasil como prioridade estratégica
O rebranding de DolarApp para ARQ reflete ambições maiores. A fintech opera no México, Colômbia, Argentina e Brasil, somando 2 milhões de usuários globais e US$ 10 bilhões em volume anualizado de transações. Porém, o Brasil concentra as maiores apostas da empresa.
A meta é que o mercado brasileiro represente ao menos 50% da operação global em breve, considerando usuários, faturamento e volume transacionado. O contexto favorece: dados da Receita Federal mostram que brasileiros declarando ativos no exterior mais que triplicaram entre 2018 e 2023, saltando de 263,5 mil para 861,1 mil declarações.
Parte dos recursos da rodada será direcionada para aumentar o awareness da marca. “Acreditamos que o produto fala por si mesmo e acabamos deixando a divulgação um pouco de lado”, admite Leonardo. A empresa conta com time enxuto de 100 funcionários distribuídos entre sete cidades globalmente.
Para mais informações sobre rodadas de investimento e fintechs, confira as matérias sobre startups e mercado financeiro no Let’s Money.