O Augustus, banco de clearing dos Estados Unidos, captou US$ 180 milhões a um valuation de US$ 1 bilhão para vender acesso direto ao dólar a bancos e fintechs de fora dos EUA. Entre os investidores aparece David Velez, fundador do Nubank, num movimento que aproxima nomes da fintech latino-americana da infraestrutura do dólar.
A rodada do Augustus
| Item |
Dado |
| Rodada |
Série B, US$ 180 milhões |
| Valuation |
US$ 1 bilhão |
| Investidor líder |
Tiger Global |
| Também na rodada |
QED e fundadores de Nubank, Ramp, Circle e Deel |
| Licença nos EUA |
8º banco com aval condicional do OCC desde 2010 |
| Liquidação |
Swift, ACH, Sepa e stablecoins |
Rodada Série B do Augustus. Fonte: Finextra
Como o Augustus quer vender dólar ao mundo
A tese do Augustus é atacar o banco correspondente, a camada que move dinheiro entre países e que quase não mudou nas últimas décadas. A plataforma é API-first e oferece contas operacionais e contas FBO com subcontas nomeadas, o que permite ao cliente transacionar com terceiros via Swift, ACH, Sepa e stablecoins sem depender de um banco intermediário. A liquidação roda sobre um núcleo bancário próprio, batizado de Marble, que a empresa diz entregar disponibilidade 24 horas por dia com apoio de inteligência artificial.
“O dólar é o melhor produto do mundo, mas sua distribuição é fundamentalmente quebrada”, afirmou Ferdinand Dabitz, CEO e cofundador do Augustus, em tradução livre. A companhia diz já processar bilhões para clientes como a exchange de criptomoedas Kraken e virou o oitavo banco a receber aval condicional do OCC para uma licença bancária nacional nos EUA desde 2010. O apetite por mover dinheiro entre trilhos tradicionais e stablecoins não é isolado: a Visa criou uma carteira para bancos moverem stablecoin, sinal de que a liquidação em moeda digital está entrando na rotina de instituições reguladas.
Por que David Velez entrou na rodada
A captação foi liderada pela Tiger Global, com participação da QED e de um grupo de fundadores de fintechs, entre eles David Velez, do Nubank, além dos criadores de Ramp, Circle e Deel. “O banco correspondente é a última parte da pilha bancária que ainda não foi desafiada pelas fintechs”, disse Nigel Morris, cofundador do Capital One e sócio-gerente da QED, em tradução livre.
A aposta conversa com movimentos recentes na própria América Latina, mercado que o Augustus cita como alvo ao lado de Sudeste Asiático, Oriente Médio e África. No Brasil, o Nubank recebeu autorização do BC para operar no mercado de câmbio, e a corrida por ligar moeda tradicional e cripto no fluxo internacional já aparece em negócios como a compra da Cypher pela Nium. Para os fundadores que construíram bancos e processadoras na região, o acesso direto ao dólar é a peça que faltava.
O que observar
O ponto a acompanhar é quem perde tração se o acesso ao dólar deixar de passar por intermediários. Bancos correspondentes tradicionais cobram spread e prazo justamente pela posição de gargalo entre instituições de mercados emergentes e os trilhos americanos. Se plataformas com licença própria e liquidação em stablecoin reduzem esse atrito, a pressão recai sobre provedores de middleware de pagamentos cross-border e sobre a margem de quem intermedeia câmbio hoje.
A pergunta que fica é regulatória e operacional ao mesmo tempo: até onde uma instituição de fora consegue apoiar sua tesouraria em dólar num trilho que mistura rede bancária e stablecoin, e como os supervisores locais vão enquadrar esse fluxo. Vale observar se a promessa de liquidação contínua se sustenta em volume e se o custo final, somados compliance e conversão, fica de fato abaixo do modelo correspondente.
Fontes: Finextra • PR Newswire • CoinDesk