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RegulaçãoOpen Finance · Banco Central

BC quer proibir venda de dados do Open Finance a terceiros

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· 3 min

Atualizado em

Diego Grandi / Shutterstock.com

O Banco Central quer proibir que dados de clientes obtidos via Open Finance sejam repassados para empresas não reguladas. A proposta, apresentada ao conselho de administração do ecossistema, cria as figuras de “instituição integradora” e “entidade parceira” e adota um modelo de consentimento 1x1x1: uma integradora, uma parceira, um consentimento por cliente.

NOVO MODELO DE COMPARTILHAMENTO | PROPOSTA DO BC

Cliente Consentimento expresso (1x1x1)
Instituição Integradora Banco, fintech ou cooperativa participante do Open Finance
Entidade Parceira Empresa não regulada, recebe dados via contrato de parceria
Terceiros VEDADO. Parceira não pode repassar dados adiante

Fonte: Finsiders Brasil

Novo enquadramento fecha brecha de contratos via LGPD

Nos últimos anos, fintechs que atuam como Iniciadoras de Transação de Pagamento (ITPs) passaram a agregar dados de clientes do Open Finance e repassá-los a parceiros fora do sistema financeiro usando contratos baseados apenas na LGPD. A prática não era ilegal, mas contornava a exigência do BC de formalizar “contratos de parceria” para esse tipo de compartilhamento. A proposta fecha essa brecha: todo acordo passa a seguir as regras do contrato de parceria, e o repasse de dados transacionais puros a terceiros fica vedado.

O BC identificou cinco áreas de preocupação: riscos na transferência de dados para fora do ambiente regulado, falta de padronização técnica e de segurança, lacunas de transparência para o consumidor, ausência de reciprocidade e capital regulatório insuficiente. A proposta exige que a instituição integradora identifique o cliente e obtenha autorização específica antes de cada compartilhamento. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, Matheus Halber, chefe da subunidade do Denor no Banco Central, destacou que R$ 30 bilhões em crédito já foram originados com base em dados do Open Finance, o que dimensiona o volume de informações que agora passam por novo enquadramento.

Bancos apoiam; fintechs veem restrição excessiva

A Febraban apoia a proposta de forma praticamente integral. Representantes de grandes bancos argumentam que a vedação se limita a dados transacionais puros, com exceção para informações de pessoas jurídicas e para repasse a birôs de crédito. Do outro lado, a Init enxerga a medida como excessiva. “Muitos modelos de negócios seriam diretamente impactados, seriam impossibilitados de existir”, disse Gustavo Lino, diretor-executivo da entidade. Ele aponta que fintechs agregadoras atendem nichos como agronegócio, educação e saúde, setores que o sistema bancário tradicional não alcança.

Ana Carla Abrão, presidente da Associação Open Finance e convidada do podcast Let’s Money nos 5 anos do ecossistema, mantém posição neutra: a associação enviou ao BC o relatório que originou a proposta e agora aguarda manifestações dos participantes. Com 170 milhões de consentimentos ativos e 10 bilhões de chamadas de dados por semana, o ecossistema já opera como infraestrutura de mercado consolidada. O avanço recente de agregadores de investimentos via Open Finance mostra como esse tipo de uso de dados se tornou central para novas propostas de valor no setor.

O que observar

A restrição atinge diretamente ITPs agregadoras, que respondem por 25% dos consentimentos do Open Finance. Essas empresas construíram modelos de crédito e análise de risco sobre dados compartilhados com parceiros não regulados. A vedação exige que redesenhem operações: ou trazem parceiros para dentro do ecossistema como instituições reguladas, ou internalizam serviços hoje terceirizados. Nos dois cenários, o custo de compliance sobe.

A exceção para dados de pessoas jurídicas e birôs de crédito sugere que o regulador mira especificamente a arbitragem regulatória, não os casos de uso consolidados. Vale acompanhar se o modelo 1x1x1, somado ao recente aumento de capital mínimo, vai filtrar apenas quem explorava brechas ou se vai comprimir também modelos de nicho com benefício real ao consumidor. O prazo para contribuições encerra amanhã, 31 de março, e novas regras devem entrar em vigor entre abril e maio.

Fontes: Valor EconômicoFinsiders BrasilFinsiders BrasilLet’s Money Podcast

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