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BIS defende depósitos tokenizados no lugar de stablecoins

No simpósio de Jackson Hole, o gerente-geral do BIS defendeu os depósitos tokenizados como alternativa mais segura às stablecoins nos pagamentos.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Freepik

O debate sobre o futuro dos pagamentos digitais ganhou um novo favorito entre banqueiros e reguladores. No simpósio anual de Jackson Hole, os depósitos tokenizados, versão digital do depósito bancário que pode ser transferida dentro da rede de instituições financeiras, foram apresentados como alternativa mais segura e barata às stablecoins.

Stablecoins x depósitos tokenizados, segundo o BIS

Critério Stablecoins Depósitos tokenizados
Sistema monetário Fora do sistema de dois níveis Dentro do sistema bancário de dois níveis
Interoperabilidade Difícil entre blockchains diferentes Circulam em plataformas com permissão
Vínculo com crédito Recursos podem sair do sistema bancário Preservam a ligação depósito e crédito

Argumentos do discurso do BIS em Jackson Hole (28/08/2026). Fonte: Bank for International Settlements

Por que o banco central dos bancos centrais prefere o depósito tokenizado

O tema oficial do encontro deste ano foi a inovação financeira e suas implicações para pagamentos e política, e os depósitos tokenizados assumiram o centro da discussão. O principal defensor foi Pablo Hernández de Cos, gerente-geral do Banco de Compensações Internacionais (BIS), a instituição que reúne os bancos centrais.

“Diferentemente das stablecoins, os depósitos tokenizados operam dentro do sistema de dois níveis. Eles preservam o vínculo estreito entre a captação de depósitos e a concessão de crédito”, afirmou Hernández de Cos, segundo o texto de seu discurso. “Isso garante que os recursos permaneçam dentro do sistema bancário, reduzindo o risco de desintermediação e sustentando a resiliência.” O sistema de dois níveis é o arranjo em que o banco central emite a moeda base e os bancos comerciais operam depósitos e crédito sobre ela.

As stablecoins vinham ganhando terreno como o tipo de criptomoeda mais confiável, por estarem atreladas a um ativo estável como o dólar. O Genius Act, lei sancionada em 2025 pelo presidente Donald Trump, reforçou essa leitura ao criar um marco regulatório para o setor nos Estados Unidos.

A disputa passa pelos pagamentos internacionais

O pano de fundo é a corrida por mover dinheiro entre fronteiras de forma mais rápida e barata. Nos Estados Unidos, os donos da The Clearing House preparam a extensão da rede de pagamentos instantâneos Real-Time Payments (RTP) para transações internacionais no primeiro semestre do ano que vem, e o Federal Reserve propôs o mesmo para o seu sistema FedNow. Em junho de 2026, um grupo de bancos que atua pela The Clearing House disse que criaria uma rede de depósitos tokenizados para conectar a atividade em blockchain aos trilhos de pagamento tradicionais. O movimento se soma ao de grandes bancos que preparam uma empresa de stablecoin em dólar e ao consórcio que mira o modelo de Visa e Mastercard.

“Estamos ansiosos para fazer avançar muitos dos trilhos de pagamento tradicionais que existem hoje, para que fiquem mais plenamente operacionais, 24 horas por dia, ampliando as capacidades das redes instantâneas e, em paralelo, focando na construção de uma estratégia tokenizada para contas, depósitos e a interoperabilidade”, disse Carl Slabicki, responsável por pagamentos globais comerciais do BNY, em entrevista no mês passado.

O que observar

O endosso do BIS costuma pesar sobre a agenda de reguladores nacionais. Vale acompanhar se o argumento do sistema de dois níveis vira preferência regulatória concreta, o que colocaria emissores de stablecoin e bancos comerciais em trilhos distintos de supervisão.

A pergunta prática é de interoperabilidade: se as redes de depósitos tokenizados nascerem fechadas em plataformas com permissão de acesso, a promessa de pagamento transfronteiriço barato depende de esses ambientes conversarem entre si. Sem isso, o setor pode apenas trocar a fragmentação entre blockchains de stablecoins pela fragmentação entre consórcios bancários.

Fontes: Banking DiveBank for International SettlementsLet’s MoneyLet’s Money

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