O Bank of New York (BNY) passou a custodiar a stablecoin USDC para clientes institucionais e habilitou esses clientes a pedir à Circle, emissora do token, a criação e o resgate de novas unidades pelo próprio banco. O movimento anunciado em 29 de junho colocou o USDC como o primeiro stablecoin do programa Digital Asset Custody do BNY, que combina serviços de fiat e ativos digitais sob uma mesma estrutura.
Relacionamento BNY-Circle: da custódia das reservas à custódia do token
| Data |
Marco |
| Abr/2022 |
Circle escolhe BNY como custodiante das reservas do USDC (US$ 52 bi à época) |
| Mar/2025 |
BNY oferece envio de dólares entre clientes e Circle para compra e venda de USDC |
| Jul/2025 |
BNY assume custódia primária das reservas do stablecoin RLUSD, da Ripple |
| Jun/2026 |
USDC vira 1º stablecoin no programa Digital Asset Custody do BNY |
Marcos descritos pela PYMNTS em 29/06/2026. Fonte: PYMNTS
Como funcionam as novas capacidades
Em vez de operar fora do banco com uma corretora cripto, o cliente institucional do BNY agora consegue duas coisas dentro do mesmo trilho: manter o USDC numa carteira de ativo digital sob a guarda do BNY e instruir a Circle, via BNY, a converter dólar em USDC e a resgatar USDC em dólar. A operação cobre o ciclo completo do stablecoin sem exigir saída para uma exchange externa.
“Com a adição das nossas capacidades aprimoradas de habilitação de stablecoin, estamos ampliando as formas como os clientes podem movimentar valor com a escala operacional, confiança e resiliência que esperam do BNY”, afirmou Carolyn Weinberg, diretora de produto e inovação do banco (em tradução livre).
Onde isso encaixa no avanço institucional da stablecoin
BNY é o maior banco custodiante do mundo, com cerca de US$ 59 trilhões em ativos sob custódia. A entrada do USDC se soma ao mandato que o banco já tem para custodiar as reservas do RLUSD, stablecoin da Ripple, desde julho de 2025. O Digital Asset Custody, contudo, é a primeira plataforma do banco a hospedar o ativo do emissor, não só o lastro em dólar das reservas. A Circle vinha sinalizando esse caminho institucional desde abril, quando lançou a sua rede de pagamentos voltada a bancos.
“Este é o próximo capítulo de um relacionamento de longa data que agora dá aos clientes do BNY conectividade entre ativos on-chain e tradicionais, dentro da infraestrutura em que já confiam”, disse Kash Razzaghi, diretor-comercial da Circle (em tradução livre). Outras frentes apontam para a mesma tese: a Mastercard ligou liquidação 24/7 em stablecoin regulada no início do mês, e o BIS publicou alerta sobre estabilidade global com o ativo no centro do debate.
O que observar
A iniciativa testa se a custódia bancária independente é o ponto de desbloqueio para adoção de stablecoin por fundos e tesourarias corporativas. Vale acompanhar se outros grandes custodiantes globais seguem com programas similares, na lógica de aceitar ativo do emissor concorrente como infraestrutura de mercado e não como produto exclusivo. Para o Brasil, a pergunta é se gestoras conseguem replicar o arranjo dado o quadro regulatório do BC, que classificou stablecoin como câmbio em 2026 e restringiu seu uso em remessas a partir de outubro.
Fontes: PYMNTS • BNY • Circle • CoinDesk