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BofA prevê ao menos 10 IPOs e R$ 50 bi no Brasil em 2027

BofA projeta ao menos 10 IPOs brasileiros em 2027, com R$ 50 bi entre IPOs, follow-ons e block trades, segundo executivos do banco.

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Jonathan Weiss / Shutterstock.com

O Bank of America vê pipeline para “pelo menos” dez IPOs de empresas brasileiras em 2027, com volume estimado em R$ 50 bilhões entre IPOs, follow-ons e block trades, segundo Bruno Saraiva, co-head de Investment Banking Brasil e head de Equity Capital Markets para a América Latina do banco.

O que sustenta a tese de IPOs em 2027, segundo o BofA

Fator Leitura do BofA
Pipeline Real estate, consumo, infra e varejo para B3; tech e fintechs para exterior
Macro global Dólar fraco, fluxo para emergentes, Brasil como exportador de commodities
Juros Queda postergada pela guerra, não encerrada; tendência de baixa preservada
Político Chance razoável de ajuste fiscal no próximo governo, independente do candidato

Visão de executivos do BofA em entrevista. Fonte: Bloomberg Línea

Pipeline maior que em 2026: setores e split entre B3 e exterior

O mercado retomou atividade em 2026 com os IPOs do PicPay e do Agibank nos Estados Unidos e da Compass, do grupo Cosan, na B3. Para 2027, Saraiva vê um salto qualitativo. “O que a gente veria de uma atividade muito robusta em 2026, a gente está vendo uma atividade muito mais robusta em 2027”, afirmou. O banco ainda avalia possível mais uma operação antes das eleições de 2026, mas a maior parte das companhias do pipeline está sendo preparada para o período pós-eleitoral.

Hans Lin, co-head de Investment Banking Brasil, apontou que o pipeline hoje está equilibrado entre exterior e mercado doméstico, mas que em 18 a 24 meses a perspectiva é de um volume “muito maior” para a B3, com a bolsa absorvendo setores mais amplos como real estate, consumo e infraestrutura.

Macro construtivo apesar da volatilidade

A projeção parte de um diagnóstico que separa volatilidade conjuntural de tendência estrutural. A guerra no Irã elevou a inflação e postergou o ciclo de queda de juros, mas o BofA não interpreta isso como encerramento da tendência. O banco mantém a visão de dólar fraco e maior fluxo para mercados emergentes, favorável ao Brasil. Saraiva apontou ainda fundamentos domésticos: desemprego nas mínimas e atividade econômica em expansão, combinados ao perfil exportador de commodities do país. “Tem pipeline para isso? Tem. Pode ser inclusive maior que isso”, disse Saraiva sobre a projeção de dez IPOs.

O que observar

A concentração do pipeline no período pós-eleitoral cria uma janela curta: se os resultados das eleições gerarem incerteza ou volatilidade prolongada, o cronograma desloca para 2028. O risco não é de inexistência de pipeline, mas de timing. O segundo ponto é o split entre B3 e exterior: a tese de que a bolsa doméstica absorverá mais setores em 18 a 24 meses depende de uma combinação de valuations atrativos, liquidez e disposição dos controladores de dividir capital com mercado. Esse histórico recente é irregular, e a qualidade de cada abertura vai definir se o mercado mantém o apetite ao longo de um ciclo mais longo de ofertas.

Fontes: Bloomberg LíneaLet’s MoneyLet’s Money

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