A Bolt, fintech de checkout dos EUA que chegou a valer US$ 11 bilhões, busca até US$ 27 milhões em uma rodada-ponte, o financiamento de curto prazo que segura a empresa até a captação seguinte. O dinheiro vem dos próprios investidores e chega com uma cláusula que encolhe a fatia de quem ficar de fora.
Do pico de US$ 11 bilhões à rodada-ponte
| Quando | Marco |
|---|---|
| 2014 | Breslow cofunda a Bolt aos 19 anos, depois de deixar Stanford |
| Início de 2022 | Avaliação da empresa chega a US$ 11 bilhões |
| Depois do pico | Avaliação cai 97%, para US$ 300 milhões |
| Março de 2025 | Breslow reassume o cargo de CEO, três anos após sair |
| 2026 | Rodada-ponte de até US$ 27 milhões, com US$ 5 milhões do próprio Breslow |
Trajetória da Bolt. Fonte: TechCrunch
A cláusula que encolhe quem não entrar
O aporte é estruturado como nota conversível, que vira participação societária com desconto quando a Bolt fechar a rodada seguinte. Junto vem a provisão que o mercado americano chama de pay-to-play, algo como pague para continuar jogando: quem não colocar dinheiro agora perde boa parte do que já tem. Ryan Breslow, CEO da empresa, entra com US$ 5 milhões do próprio bolso e estima que os cerca de 100 investidores da Bolt somem ao menos US$ 15 milhões, sem esperar adesão de todos.
Em comunicado citado pelo TechCrunch, a empresa afirma que o financiamento “nos permite capitalizar sobre nossos marcos operacionais recentes, quitar obrigações herdadas e garantir uma transição sem atritos enquanto avançamos rumo ao fechamento da nossa rodada Série E2 completa”. Procurado para dizer quais são essas obrigações, Breslow não respondeu. Ele também não revelou quanto caixa resta e afirma que a Bolt se aproxima da rentabilidade, depois de anos de receita em queda.
Breslow diz que o conselho e uma “maioria dos preferencialistas” aprovaram a captação, diferente da tentativa anterior. Dois anos atrás, ele buscou US$ 450 milhões a uma avaliação de US$ 14 bilhões, e o negócio ruiu depois que investidores da empresa, entre eles BlackRock, Hedosophia e Untitled Investments, pediram liminar no tribunal de Delaware, em setembro de 2024. O pedido seguiu revelações de que um investidor apontado como líder da rodada negou participação e de que outro havia oferecido US$ 250 milhões em créditos de marketing no lugar de dinheiro. A ação foi retirada por todas as partes.







