O Bradesco virou a esquina da eficiência. A rede física caiu pela metade desde o fim de 2023, 99% das transações já passam pelo digital e o desenvolvimento de sistemas quadruplicou. O diagnóstico é de Cassiano Scarpelli, CFO do banco, em entrevista ao programa Números Falam, do NeoFeed em parceria com a CNN Brasil.
“Nós somos um grande banco digital, mas com uma grande presença física”, afirmou Scarpelli. Os números sustentam a afirmação: o banco saiu de aproximadamente 7 mil unidades de negócio (agências, postos de atendimento e postos eletrônicos) para pouco mais de 3 mil em pouco mais de dois anos. As transações em caixas, que eram 1,5 milhão por dia antes da pandemia, caíram para cerca de 90 mil, recuo de 94%.
Bradesco: a transformação operacional em números
| Métrica |
Antes |
Hoje |
Variação |
| Unidades de negócio |
~7 mil |
~3 mil |
-57% |
| Transações em caixas/dia |
1,5 mi (pré-pandemia) |
~90 mil |
-94% |
| Transações digitais |
parcial |
99% |
+++ |
| Capacidade de dev de TI |
1x |
4x |
+300% |
Dados apresentados por Scarpelli no programa Números Falam. Fonte: NeoFeed
A esquina da eficiência
O lucro líquido recorrente do 1T26 chegou a R$ 6,8 bilhões, alta de 16,1% ano contra ano. Receitas totais ficaram em R$ 36,9 bilhões (alta de 14,1%), margem financeira com clientes acima de 9% e índice de eficiência em 46,9%. “Esse foi o nono trimestre seguido que entregamos dentro da cultura do step by step”, afirmou Scarpelli no programa. “A transformação não é um evento. É um projeto de cinco anos.” Marcelo Noronha assumiu a presidência no fim de 2023 e, desde então, o banco reorganizou áreas de crédito, reforçou times de tecnologia, ampliou inteligência artificial e refez praticamente toda a segmentação comercial.
IA aplicada e capacidade de desenvolvimento
O banco tem escolhido manter o balanço próprio enquanto modela a próxima camada de tecnologia, em vez de migrar tudo para cloud ou descartar legado. Em maio, Scarpelli e seu time apresentaram a tese de manter o mainframe no core bancário e plugar IA por cima, em vez de iniciar uma reconstrução completa. Os casos de uso já estão na produção: a análise de crédito atacado caiu de semanas para três dias com IA, e o consignado privado foi automatizado com decisão por modelo. A quadruplicação da capacidade de desenvolvimento é o motor por trás dessa série de entregas em sequência.
Fair share como tese
“Não queremos comprar mercado, queremos crescer dentro do nosso fair share. Hoje, 99% das nossas transações são digitais. Nós, os incumbentes, também somos bancos digitais”, afirmou Scarpelli. “O jogo do banco é risco. Você tem que acertar sempre essa margem.” O movimento contrasta com o discurso anterior do banco, que mirava 50 milhões de clientes digitais e freava corte na rede. A leitura agora é que o corte já feito (mais de 3 mil unidades a menos) é base instalada suficiente para crescer no digital.
O que observar
Três frentes definem o tamanho dessa transformação. Primeiro, se outros bancos incumbentes conseguem replicar a curva de eficiência sem perder presença regional. Segundo, se a quadruplicação de capacidade de dev muda o ritmo de lançamento de produtos versus bancos digitais nativos. Terceiro, se manter balanço próprio com mainframe e IA por cima vira padrão ou se a próxima fase exige migração mais ampla para cloud.
Fontes: NeoFeed, Bradesco acelera transformação no Números Falam • Let’s Money, Bradesco mantém mainframe no core bancário com IA • Let’s Money, IA do Bradesco corta análise de crédito atacado para 3 dias