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EstratégiaCrédito · Bradesco

Bradesco elege PMEs como motor de crescimento em 2026

Bradesco elege as PMEs como principal vetor de crescimento e aposta no relacionamento contra os bancos digitais, mesmo com Selic a 14,5% ao ano.

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· 3 min

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

O Bradesco escolheu as pequenas e médias empresas como a próxima avenida de crescimento em 2026. Depois de trimestres de corte de custos e reorganização, o banco quer transformar as PMEs no principal vetor de expansão e diz ter um trunfo contra os bancos digitais: a relação de longo prazo com o empresário, mesmo com a Selic a 14,5% ao ano.

O tripé da estratégia para PMEs

Pilar Como o banco usa
Crédito Alavanca que financia capital de giro e abre a porta da principalidade
Tecnologia IA, modernização digital e ofertas personalizadas por segmento
Relacionamento Capilaridade de agências e o gerente, “alguém do outro lado da mesa”

Os três pilares da estratégia para PMEs, segundo o diretor executivo Alexandre Panico. Fonte: Seu Dinheiro

A nova fronteira da guerra entre bancões e fintechs

O mercado de PMEs virou uma espécie de nova fronteira na disputa entre grandes bancos e plataformas digitais. Enquanto o Corporate Banking e o Wealth Management têm potencial de expansão mais limitado, o segmento de pequenas e médias empresas ainda oferece espaço para ganhar participação e aprofundar relacionamento. “A tendência é que o nosso negócio de PME tenha maior capacidade de gerar valor dentro do nosso balanço do que as demais operações”, afirmou Alexandre Panico, diretor executivo do Bradesco, em entrevista ao Seu Dinheiro.

Do outro lado avançam concorrentes como o Nubank, que já soma 6 milhões de clientes PJ, e o Mercado Pago, que ganham espaço com contas digitais, maquininhas e pagamentos integrados. O movimento ocorre depois de um turnaround que, sob o comando de Marcelo Noronha, fez a ação do banco subir 63,5% em 2025 e superar a alta dos rivais. Para Panico, a briga é acirrada: “É um mercado extremamente competitivo e vários estão querendo jogar esse jogo aqui.”

O trunfo da principalidade

A aposta do Bradesco é capturar a chamada principalidade, ou seja, tornar-se o banco principal da empresa e não apenas mais uma conta. O empresário, argumenta o banco, precisa de financiamento, seguros, meios de pagamento, gestão de caixa e orientação, e é nessa combinação que o banco vê vantagem sobre os entrantes. “Os insurgentes não conseguem atender o todo, até por uma questão simples de camada e quantidade de produtos disponíveis”, afirma Panico.

O terceiro pilar, o relacionamento, é onde o banco acredita ter a diferença mais difícil de replicar. A aposta é que o cliente PJ quer discutir decisões de negócio com um gerente, e não ser atendido por uma máquina, posição coerente com a leitura de que o Bradesco é um banco digital com forte presença física. No crédito, a expansão será seletiva: o banco quer usar modelos de dados mais sofisticados para identificar clientes com maior potencial e menor risco, na mesma linha em que vem mirando margem com crédito de baixo risco. “O Bradesco está seletivo, mas com apetite. Não seremos agressivos”, diz o diretor.

O que observar

O teste central é se um modelo ancorado em relacionamento e amplitude de produtos consegue sustentar margem num ciclo de juros altos. Com a Selic em dois dígitos, grandes bancos de varejo apostam que o empresário valoriza ainda mais ter com quem discutir investimento e renegociação de dívida, enquanto os entrantes digitais competem em produtos específicos. Vale acompanhar se a captura de principalidade se traduz em receita por cliente acima da média ou se esbarra na inadimplência.

A diferença entre conquistar uma conta e se tornar o banco principal é o ponto que separa os dois lados dessa disputa. Para os grandes bancos, a vantagem alegada é a capilaridade física e a esteira completa de produtos; para os entrantes, a simplicidade da jornada digital. O indicador a observar nos próximos trimestres é quanto da carteira de pequenas e médias empresas migra de relacionamento transacional para relacionamento principal, sem deterioração relevante da qualidade do crédito.

Fontes: Seu DinheiroBloomberg LíneaLet’s Money

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