BRB espera concluir aumento de capital até o fim do mês
O BRB prevê concluir até o fim de junho o aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, mas a fiança dos seis maiores bancos ainda trava o empréstimo do FGC.
O BRB espera concluir até o fim de junho o aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões que tenta recompor o caixa do banco distrital. Antes disso, falta destravar a fiança dos seis maiores bancos do país, peça que sustenta o empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC ao Governo do Distrito Federal.
A engenharia do socorro ao BRB
Etapa
Situação
Aumento de capital
até R$ 8,8 bilhões
Empréstimo do FGC ao GDF
R$ 6,6 bilhões
Prazo de preferência dos acionistas
encerrado em 3 de junho de 2026
Conclusão prevista
até o fim de junho de 2026
Etapa pendente
fiança dos seis maiores bancos e homologação do BC
Estrutura do aumento de capital do BRB, junho de 2026. Fonte: Valor Econômico
A ordem que trava o cronograma
Segundo o presidente do BRB, Nelson de Souza, a operação deve ser concluída até o fim do mês. A informação foi divulgada primeiro pela Bloomberg e confirmada ao Valor pelo executivo. O prazo para os acionistas exercerem o direito de preferência no aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões terminou em 3 de junho, mas ainda faltam as etapas de sobras, eventual rateio e homologações parciais antes do resultado definitivo.
O nó está na sequência. Antes do empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC, é preciso resolver a fiança que será oferecida pelos seis maiores bancos do país: Itaú, Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Santander e BTG. Em maio, o Let’s Money mostrou que os seis grandes bancos acertaram uma fiança de R$ 6,4 bilhões, mas a composição final ainda não está fechada. A XP também se movimentou para entrar na garantia, e um banco de médio porte com expertise em contratos de fiança participou de conversas nos últimos dias.
“Primeiro se faz a fundação [fiança] para depois levantar as paredes [empréstimo]. Ainda não tem nada definido”, disse um interlocutor ao Valor. As conversas com o FGC para o empréstimo ao Governo do DF, segundo fontes próximas, ainda não avançaram muito.
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De onde vem o buraco no capital
A necessidade de capital nasce da exposição do BRB ao Banco Master. Uma auditoria interna apontou possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões: dos cerca de R$ 30 bilhões em títulos comprados do Master, ao menos R$ 2,6 bilhões estariam sem lastro e outros R$ 6,2 bilhões apresentam risco de não recuperação. O socorro faz parte de um plano costurado entre Fazenda, FGC e bancos, com acordo homologado no Supremo Tribunal Federal envolvendo União, Distrito Federal, Banco Central e o próprio BRB.
A Câmara Legislativa do DF aprovou na terça-feira, por 11 votos a 9, o projeto que autoriza a operação de crédito de R$ 6,6 bilhões com o FGC, conforme noticiado pelo Times Brasil. A votação enfrentou resistência de servidores e de parte da bancada, que questionou os termos do acordo. Procurado, o banco reforçou que o desenho ainda não está fechado. “Conforme o fato relevante de 27 de maio, após o encerramento do prazo de preferência em 3 de junho ainda ocorrerão as etapas relacionadas às sobras, eventual rateio e homologações parciais antes da divulgação do resultado definitivo. A conclusão da operação depende, ainda, da autorização e da homologação do aumento de capital pelo Banco Central”, afirmou o BRB.
O que observar
O ponto sensível é a ordem das peças. Um aumento de capital com prazo apertado depende de uma garantia privada que precisa ser estruturada antes do empréstimo, que por sua vez precisa da homologação do regulador. Vale acompanhar se essa sequência, fiança, empréstimo e homologação, cabe dentro da janela de poucas semanas anunciada, ou se o cronograma escorrega para o trimestre seguinte.
Há também uma questão de precedente. Quando um fundo garantidor passa a financiar a recapitalização de um banco de controle estatal, com grandes bancos privados entrando como fiadores, o desenho testa os limites do arranjo de proteção do sistema. A pergunta que fica é se modelos assim viram referência para futuros casos de bancos públicos sob estresse de capital, ou se permanecem como solução de exceção negociada caso a caso.