A carteira habitacional da Caixa passou de R$ 1 trilhão pela primeira vez, avanço de mais de 14% em um ano. O tamanho recoloca o banco público como líder isolado do setor, dono de cerca de 68% do financiamento à casa própria no país. Por trás do número está o Minha Casa, Minha Vida.
Caixa no crédito imobiliário: os números do marco
Indicador
Valor
Carteira de crédito imobiliário
R$ 1 trilhão (jun/2026)
Participação no financiamento habitacional
cerca de 68%
Crescimento em 12 meses
mais de 14%
Originação no 1º tri/2026
R$ 64,2 bi (+30,6% a/a)
Contratações em 2025
R$ 246,4 bi (873 mil imóveis)
Peso do Minha Casa, Minha Vida na carteira
58,4%
Carteira de crédito imobiliário da Caixa, junho de 2026. Fonte: Money Times
Minha Casa, Minha Vida puxa o crédito imobiliário
O salto tem endereço claro. Do total emprestado para moradia, 58,4% saiu do programa federal, que bancou 659,2 mil unidades no último ano, segundo o banco. É o motor da política habitacional do governo, e a instituição concentra quase todos os contratos ligados a ele.
O ritmo aparece nos números recentes. Só entre janeiro e março de 2026, saíram R$ 64,2 bilhões em novos contratos, um salto de 30,6% ante o mesmo período de 2025. O volume anual também subiu pelo segundo ano seguido, com 873 mil moradias bancadas ao longo de 2025.
“O crédito imobiliário segue como uma das principais alavancas de crescimento do banco, impulsionado, em grande medida, pelo desempenho do Minha Casa, Minha Vida”, afirmou Carlos Vieira, presidente da Caixa, em nota.
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O funding que sustenta a conta
O marco chega num momento de tensão sobre a origem do dinheiro. A poupança, funding tradicional e barato do financiamento habitacional, vem perdendo peso: sua participação no funil de crédito imobiliário caiu de 34% em dezembro de 2023 para 29% em dezembro de 2025, um descasamento que o Bradesco apontou pressionar as taxas à medida que os bancos recorrem a recursos de mercado, mais caros.
Do lado da demanda, o apetite continua firme. Levantamento recente mostrou que quase 9 em cada 10 jovens de renda alta querem comprar imóvel, o que mantém pressão sobre a oferta de financiamento. Vieira credita o desempenho a “uma estratégia consistente voltada à ampliação do acesso ao crédito e focada na diversificação das fontes de recursos”.
O que observar
A concentração de quase 70% do financiamento habitacional em um único originador público levanta uma questão de estrutura de mercado: o fôlego do setor fica atado ao orçamento de um programa subsidiado e à capacidade de captação de uma só instituição. Com a poupança encolhendo como fonte, vale acompanhar se os bancos privados avançam sobre as faixas de renda mais alta, onde o funding de mercado pesa menos na conta, e se o custo do crédito para o mutuário sobe conforme a captação migra de depósitos regulados para instrumentos de mercado. O teste será a próxima safra de contratações: se o ritmo se mantém quando o subsídio encontra o teto orçamentário.