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Mercado de CapitaisCrédito · Caixa Econômica Federal

Caixa entra no top 10 da originação de dívida com R$ 10,9 bi

Banco público originou R$ 10,9 bi em debêntures, CRI, CRA e FIDCs em 2025, crescimento de 234% em dois anos. Em janeiro de 2026, já subiu para a 9ª posição no ranking Anbima.

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Alf Ribeiro / Shutterstock.com

A Caixa Econômica Federal entrou pela primeira vez no ranking dos dez maiores originadores de dívida corporativa do país, com R$ 10,9 bilhões em emissões coordenadas em 2025. O volume representa crescimento de 234% em dois anos e sinaliza que o banco público quer disputar um mercado dominado por Itaú BBA, BTG Pactual e Bradesco BBI.

Caixa na originação de dívida

Ano Volume originado Posição ranking
2023 R$ 3,2 bi Fora do top 10
2024 R$ 8,2 bi Fora do top 10
2025 R$ 10,9 bi (+33%) 10º
Jan/2026 R$ 540 mi

Fonte: ranking Anbima via NeoFeed

Onde a Caixa está crescendo

O avanço se concentra em cinco instrumentos: CRI, CRA, debêntures, notas comerciais e FIDCs. A rede de originação combina mais de mil officers especializados, 53 escritórios empresariais voltados ao middle market (empresas com faturamento entre R$ 50 milhões e R$ 1 bilhão) e 10 escritórios corporativos. O foco declarado são construtoras e empresas fora do eixo Rio-São Paulo, segmentos onde a Caixa já tem relacionamento bancário estabelecido pela carteira de crédito imobiliário.

Tarso Duarte de Tassis, vice-presidente de Atacado da Caixa, disse que o cliente de mercado de capitais não quer apenas captar recursos. A leitura é que a Caixa pretende oferecer advisory e estruturação, não só distribuição, competindo em um nível de serviço que até recentemente era exclusivo dos bancos de investimento privados. Mesmo assim, o market share de 1,9% em 2025 mostra o tamanho da distância: o Itaú BBA, líder do ranking, originou R$ 143,6 bilhões no mesmo período.

O mercado de ofertas públicas alcançou R$ 838,8 bilhões em 2025, alta de 6,4% sobre o ano anterior. A expansão do crédito privado no agronegócio, com CRAs ganhando espaço como alternativa ao crédito rural subsidiado, é um dos vetores que a Caixa mira. Paralelamente, o banco desistiu de comprar carteiras do BRB após auditoria sigilosa, indicando seletividade na estratégia de crescimento.

O que observar

A entrada da Caixa no top 10 de originação é inédita para um banco público federal nesse segmento. O teste será se o crescimento se sustenta num cenário de juros altos, onde o custo de emissão de dívida para empresas de middle market é mais sensível. Construtoras e empresas regionais podem preferir a Caixa pelo relacionamento existente, mas operações mais complexas de debêntures e FIDCs exigem capacidade de estruturação que leva tempo para construir. Vale acompanhar se a participação sai de 1,9% para algo acima de 3% em 2026, o que indicaria que o banco conseguiu reter os clientes de primeira emissão e adicionar novos.

Fontes: NeoFeedADVFNLet’s Money

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