O Itaú Unibanco, maior banco da América Latina, entrou no projeto-piloto de tokenização da Anbima ao lado da provedora de infraestrutura OpenAssets. A dupla é uma entre mais de 50 instituições que vão testar, em rede privada, como emitir, negociar e liquidar debêntures e fundos de investimento tokenizados sem sair das regras do mercado de capitais brasileiro.
Piloto de tokenização da Anbima em números
| Item |
Detalhe |
| Propostas recebidas |
39 |
| Casos de uso selecionados |
20 |
| Instituições envolvidas |
Mais de 50 (bancos, gestoras, techs) |
| Ativos testados |
Debêntures e fundos de investimento |
| Infraestrutura |
Rede DLT privada e permissionada |
| Dinheiro real ou investidor |
Não há nesta fase |
Estrutura do projeto-piloto de tokenização da Anbima, fase de testes iniciada em abril de 2026. Fonte: Anbima
O que Itaú e OpenAssets vão testar
Segundo a Finextra, os dois vão desenvolver provas de conceito para avaliar requisitos técnicos, de compliance e operacionais. A OpenAssets entra com a infraestrutura de tokenização, e o Itaú aporta o conhecimento de mercado de capitais. A ideia é verificar se uma rede distribuída dá conta de todo o ciclo de um título, da emissão à negociação e à liquidação, sem quebrar a compatibilidade com a estrutura atual.
“A iniciativa da OpenAssets e do Itaú busca explorar como ativos tokenizados podem ser emitidos, liquidados e geridos dentro dos padrões e estruturas que as instituições financeiras exigem”, afirmou Gabor Gurbacs, presidente e CEO da OpenAssets (em tradução livre). Não é a primeira investida do Itaú no tema: o banco já esteve no piloto do Drex, em 2023. A mesma OpenAssets também testa liquidação de depósitos tokenizados com a Partior.
Como o piloto da Anbima está desenhado
A Anbima selecionou 20 casos de uso entre 39 propostas apresentadas por mais de 50 instituições, incluindo bancos, gestoras e empresas de tecnologia. Os testes rodam em uma rede DLT privada e permissionada, sem movimentação de dinheiro real e sem investidores, e percorrem todas as etapas do ciclo do ativo: estruturação, emissão, transferência, eventos e liquidação. Nas debêntures, os papéis são emitidos e geridos direto na rede; nos fundos, entram contratos inteligentes para automatizar processos. Para Eric Altafim, diretor da Anbima, o volume de propostas reforça a relevância da iniciativa.
O pano de fundo é a corrida por padrões antes da adoção em escala, enquanto a CVM prepara uma proposta de regime para tokenização. A distância entre discurso e execução é o que separa piloto de produto. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, André Carneiro, CEO da BBChain, resumiu a experiência das fases do Drex: “A primeira fase foi PPT para a maioria do mercado. Quem realmente programou em blockchain foi o Bacen.” O piloto da Anbima nasce já na etapa em que os participantes precisam colocar casos reais de pé.
O que observar
O teste concentra a decisão numa camada específica: gestoras, administradores fiduciários e provedores de infraestrutura de registro precisam provar que um mesmo ambiente aguenta ativos com regras de propriedade, negociação e administração diferentes. Vale acompanhar se as provas de conceito geram evidência técnica forte o suficiente para destravar as próximas discussões de governança e padronização, ou se o ciclo se repete sem saída da fase experimental. O mercado global de ativos reais tokenizados mais que dobrou no último ano, de cerca de US$ 18,9 bilhões em agosto de 2025 para mais de US$ 38 bilhões, segundo a Finextra. A pergunta que fica é se a infraestrutura regulada do Brasil vai acompanhar esse ritmo ou ditar o próprio.
Fontes: Finextra • Anbima • CoinDesk • Let’s Money Podcast: Drex com André Carneiro