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TokenizaçãoCripto · Anbima

Itaú entra em piloto de tokenização com 50 instituições

Itaú e OpenAssets entram no piloto de tokenização da Anbima para testar debêntures e fundos em rede DLT privada, ao lado de mais de 50 instituições.

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· 3 min

Atualizado em

casa.da.photo / Shutterstock.com

O Itaú Unibanco, maior banco da América Latina, entrou no projeto-piloto de tokenização da Anbima ao lado da provedora de infraestrutura OpenAssets. A dupla é uma entre mais de 50 instituições que vão testar, em rede privada, como emitir, negociar e liquidar debêntures e fundos de investimento tokenizados sem sair das regras do mercado de capitais brasileiro.

Piloto de tokenização da Anbima em números

Item Detalhe
Propostas recebidas 39
Casos de uso selecionados 20
Instituições envolvidas Mais de 50 (bancos, gestoras, techs)
Ativos testados Debêntures e fundos de investimento
Infraestrutura Rede DLT privada e permissionada
Dinheiro real ou investidor Não há nesta fase

Estrutura do projeto-piloto de tokenização da Anbima, fase de testes iniciada em abril de 2026. Fonte: Anbima

O que Itaú e OpenAssets vão testar

Segundo a Finextra, os dois vão desenvolver provas de conceito para avaliar requisitos técnicos, de compliance e operacionais. A OpenAssets entra com a infraestrutura de tokenização, e o Itaú aporta o conhecimento de mercado de capitais. A ideia é verificar se uma rede distribuída dá conta de todo o ciclo de um título, da emissão à negociação e à liquidação, sem quebrar a compatibilidade com a estrutura atual.

“A iniciativa da OpenAssets e do Itaú busca explorar como ativos tokenizados podem ser emitidos, liquidados e geridos dentro dos padrões e estruturas que as instituições financeiras exigem”, afirmou Gabor Gurbacs, presidente e CEO da OpenAssets (em tradução livre). Não é a primeira investida do Itaú no tema: o banco já esteve no piloto do Drex, em 2023. A mesma OpenAssets também testa liquidação de depósitos tokenizados com a Partior.

Como o piloto da Anbima está desenhado

A Anbima selecionou 20 casos de uso entre 39 propostas apresentadas por mais de 50 instituições, incluindo bancos, gestoras e empresas de tecnologia. Os testes rodam em uma rede DLT privada e permissionada, sem movimentação de dinheiro real e sem investidores, e percorrem todas as etapas do ciclo do ativo: estruturação, emissão, transferência, eventos e liquidação. Nas debêntures, os papéis são emitidos e geridos direto na rede; nos fundos, entram contratos inteligentes para automatizar processos. Para Eric Altafim, diretor da Anbima, o volume de propostas reforça a relevância da iniciativa.

O pano de fundo é a corrida por padrões antes da adoção em escala, enquanto a CVM prepara uma proposta de regime para tokenização. A distância entre discurso e execução é o que separa piloto de produto. Em entrevista ao podcast Let’s Money em 2025, André Carneiro, CEO da BBChain, resumiu a experiência das fases do Drex: “A primeira fase foi PPT para a maioria do mercado. Quem realmente programou em blockchain foi o Bacen.” O piloto da Anbima nasce já na etapa em que os participantes precisam colocar casos reais de pé.

O que observar

O teste concentra a decisão numa camada específica: gestoras, administradores fiduciários e provedores de infraestrutura de registro precisam provar que um mesmo ambiente aguenta ativos com regras de propriedade, negociação e administração diferentes. Vale acompanhar se as provas de conceito geram evidência técnica forte o suficiente para destravar as próximas discussões de governança e padronização, ou se o ciclo se repete sem saída da fase experimental. O mercado global de ativos reais tokenizados mais que dobrou no último ano, de cerca de US$ 18,9 bilhões em agosto de 2025 para mais de US$ 38 bilhões, segundo a Finextra. A pergunta que fica é se a infraestrutura regulada do Brasil vai acompanhar esse ritmo ou ditar o próprio.

Fontes: FinextraAnbimaCoinDeskLet’s Money Podcast: Drex com André Carneiro

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