O Citi vendeu 49% do Banamex em duas etapas e mantém planos de IPO do banco de varejo para 2027, encerrando a separação entre varejo e operação institucional no México iniciada em dezembro de 2024, com o BTG Pactual entre os compradores da segunda rodada. “O Brasil fez isso dez anos atrás, foi uma decisão acertada, e agora a operação está prosperando. Esperamos seguir o mesmo caminho”, afirmou Luis Brossier, CEO do Citi no México desde março.
Banamex: desinvestimento do Citi
| Item |
Detalhe |
| Separação concluída |
dezembro de 2024 |
| Etapa 1 (fim de 2025) |
25% → Fernando Chico Pardo |
| Etapa 2 (fev 2026) |
24% → General Atlantic, Chubb, Blackstone, QIA, BTG e outros |
| Nenhum comprador supera |
4,9% individualmente |
| Citi retém |
51% do Banamex |
| IPO previsto |
2027 |
Desinvestimento no Banamex. Fonte: Valor Econômico
Do varejo ao institucional: o modelo Brasil
A separação entre o banco de varejo e a operação institucional no México replica o caminho que o Citi trilhou no Brasil quase dez anos atrás e que resultou em recordes recorrentes na operação corporativa brasileira. Brossier, que coordenou recentemente a emissão de uma debênture de R$ 3 bilhões da Claro no Brasil, usou a trajetória brasileira como referência direta. “No ano passado tivemos um resultado recorde, com crescimento de 9%”, disse, referindo-se à operação mexicana em 2025.
Banamex e Citi México operam hoje como duas instituições totalmente separadas e autônomas; ambas são consideradas sistemicamente importantes pelo Banco Central do México. A segunda rodada do desinvestimento, em fevereiro, incluiu o BTG Pactual entre os compradores ao lado de fundos e gestoras globais, mas o banco não divulga a fatia de cada investidor. O banco não prevê novas vendas de participação em 2026, “permitindo que o atual grupo de investidores tenha tempo para impulsionar a criação de valor”, segundo Brossier.
Fintechs como clientes, não como concorrentes
A conclusão da separação abre uma frente que antes estava bloqueada pela sobreposição competitiva: fintechs que atuam no varejo digital mexicano, citadas por Brossier como Mercado Livre, Nubank e Revolut, eram vistas como concorrentes enquanto o Citi ainda operava no varejo. Com a separação, essas empresas se tornam clientes potenciais da operação institucional. “Agora que separamos nossa operação de varejo, se abre uma oportunidade para atendermos outras instituições financeiras, que antes nos viam como um competidor.
Queremos crescer nesse nicho, ter mais acesso, um diálogo estratégico com esses bancos”, afirmou. O Revolut estreou como banco no México em janeiro de 2026, disputando o varejo local com o Nubank. Brossier também apontou o Pix brasileiro como referência para o que o México poderia desenvolver em pagamentos corporativos. “Se no México começarmos a ter mais soluções eletrônicas como o Pix, poderemos aplicar os usos que vocês fizeram no Brasil para atender clientes corporativos”, disse. O Brasil já exporta o modelo Pix e Open Finance como referência para mercados emergentes.
O que observar
A tese de que a separação entre banco de varejo e operação institucional libera foco e capital para crescimento na carteira corporativa foi validada no Brasil, mas o México apresenta um contexto diferente: a revisão do acordo de livre comércio com Estados Unidos e Canadá mantém investidores em compasso de espera, adiando a alocação de capital que alimenta o pipeline de um banco institucional. O IPO do banco de varejo separado depende de condições de mercado que ainda precisam se materializar: a janela de 2027 pode ser estreita se a incerteza macro persistir.
O segundo ponto de observação é estrutural: a remoção da fricção competitiva entre bancos americanos com vocação institucional e fintechs locais de varejo digital cria um novo perfil de cliente para o segmento institucional. Vale acompanhar se soluções de pagamento instantâneo comparáveis ao Pix ganham tração no México e se isso acelera a demanda por produtos corporativos digitais que bancos internacionais têm condições de oferecer a instituições de menor porte.
Fontes: Valor Econômico • Let’s Money • Let’s Money