O Citi lançou o Custody+, conjunto de serviços de custódia em tempo quase real, e disse que vai oferecer custódia de ativos digitais ainda em 2026, começando por bitcoin. O anúncio chega dias depois de o Bradesco abrir custódia de cripto para fundos e tesourarias no Brasil, sinal de que o serviço deixou o campo experimental nos dois mercados.
O Custody+ em números
| Indicador |
Número |
| Mercados atendidos pela custódia |
mais de 100 |
| Mercados proprietários |
62 |
| Investimento anual em plataforma |
mais de US$ 2 bilhões |
| Custódia de ativos digitais |
prevista para 2026, a partir do bitcoin |
Dados do anúncio do Custody+, em 18 de agosto de 2026. Fonte: PYMNTS
O que muda na custódia do Citi
O banco descreveu o Custody+ como a passagem de um modelo padronizado de custódia para um ecossistema modular, adaptável aos fluxos de trabalho de cada cliente. O pano de fundo, segundo o próprio anúncio, é o de investidores institucionais que já operam com ciclos de liquidação comprimidos, mercados contínuos e decisão apoiada por inteligência artificial.
“O Custody+ é um exemplo claro desse investimento, à medida que construímos infraestrutura para eliminar latência e atrito para clientes investidores institucionais”, disse Chris Cox, head de investor services do Citi, em tradução livre. Ele afirmou que a área de Services do banco investe mais de US$ 2 bilhões por ano em estratégia de plataforma, com foco em velocidade, escala e disponibilidade. A custódia do Citi atende clientes em mais de 100 mercados, dos quais 62 são proprietários, e a plataforma chega depois de o banco concluir nos Estados Unidos a implantação do Single Event Processing, sua tecnologia patenteada de processamento. É a mesma lógica de tempo real que já apareceu quando o banco cortou o KYC de uma hora para 15 minutos.
Bitcoin no mesmo trilho da custódia tradicional
A parte mais nova do anúncio é a guarda de cripto. O banco afirmou que ativos digitais já operam com liquidação quase instantânea e funcionamento ininterrupto, e que a custódia desses ativos será construída sobre a arquitetura comum de ativos digitais do próprio Citi. “Os clientes vão acessar recursos de custódia tradicional e de cripto dentro da mesma estrutura, para uma experiência integrada”, diz o comunicado, em tradução livre. A estreia está prevista para este ano, começando pelo bitcoin.
O movimento segue uma fila de bancos custodiantes globais que passaram a guardar ativos digitais diretamente, em vez de tratar a exposição por meio de fundos ou terceiros. O Bank of New York adotou a stablecoin USDC em custódia em junho de 2026, e o mesmo grupo de grandes bancos americanos, com o Citi entre eles, estuda um depósito tokenizado como alternativa às stablecoins.
No Brasil, o terreno está sendo preparado em paralelo. O Bradesco anunciou custódia de ativos digitais para fundos e tesourarias em agosto de 2026, e a CVM criou grupo de trabalho para propor um regime de tokenização. Para o Citi, que trocou o varejo pelo atacado na América Latina, o cliente local relevante é justamente o institucional que a nova plataforma mira.
O que observar
A pergunta prática é o que acontece com o modelo de receita da custódia quando o serviço deixa de ser guarda estática e passa a ser infraestrutura de liquidação contínua. Custódia é um negócio de escala e margem fina, remunerado por ativos sob guarda e por evento processado. Se o processamento em tempo real vira padrão entre custodiantes globais, o diferencial migra da tarifa para a capacidade de operar mercados que não fecham, e a pressão recai sobre administradores fiduciários e prestadoras de serviços de ativos virtuais que ainda dependem de janelas de conciliação.
O segundo ponto é regulatório e vale acompanhar de perto no Brasil. Guardar cripto e título tradicional na mesma estrutura pressupõe segregação patrimonial, regras de falência e responsabilidade sobre chaves privadas que ainda estão sendo escritas por aqui, com a CVM discutindo regime de tokenização e o BC ajustando o enquadramento das prestadoras de serviços de ativos virtuais. Enquanto o desenho não fecha, gestoras que quiserem exposição direta tendem a manter a custódia de cripto fora do país, o que joga contra a promessa de experiência integrada.
Fontes: PYMNTS • The Block • Asset Servicing Times