A Cocos Capital, plataforma de investimentos digital nascida na Argentina, colocou o pé no Brasil ao comprar a Warren Investimentos, seu primeiro movimento no país. Entram no pacote a gestora de recursos, a mesa de mercado de capitais e a Renascença DTVM, a corretora institucional que respondia pelo grosso da receita da Warren. O fechamento, porém, ainda passa pelo crivo dos reguladores brasileiros.
O que a Cocos leva na compra
As partes não abriram o valor da transação. O pagamento sai todo do caixa da própria compradora, numa combinação de dinheiro com troca de ações, sem dívida nem aporte novo de fora. Nesse desenho, os fundos que bancaram a Warren ao longo dos anos, caso da Kaszek Ventures, deixam de ser donos da corretora brasileira e passam a deter uma fatia da argentina. O detalhe menos confortável veio de apuração do Valor: esse investimento já aparecia zerado nos livros dos fundos de private equity, que há mais de um ano procuravam um comprador para a casa. Em custódia, a Warren carregava mais de R$ 20 bilhões, segundo o NeoFeed.
Cocos Capital em números
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Clientes na Argentina (2025) | mais de 2 milhões |
| Receita (2025) | US$ 49,7 milhões |
| Ebitda ajustado (2025) | US$ 25 milhões |
| Meta de receita (até o fim de 2026) | mais de US$ 100 milhões |
Dados da própria companhia. Fonte: Valor Econômico
Do lado comprador, a Cocos surgiu em 2021 e escalou rápido no varejo financeiro argentino, com um aplicativo que junta investir, poupar e pagar num lugar só, tudo sem nunca ter levantado dinheiro de terceiros. Com a Warren no colo e o banco digital Voii, também argentino e comprado há pouco, a empresa calcula chegar a um patrimônio sob gestão superior a US$ 4 bilhões. “Vemos uma oportunidade muito clara de aplicar no Brasil o que já fizemos na Argentina: simplificar os investimentos, fortalecer nossa proposta de valor e escalar com foco em eficiência”, diz Ariel Sbdar, que fundou e hoje comanda a companhia argentina. O passo repete a rota de fintechs de fora que chegam ao Brasil comprando uma operação local.








