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Cocos compra Warren em sua 1ª aquisição no Brasil

A fintech argentina Cocos Capital fecha a compra da Warren Investimentos, incluindo a Renascença DTVM, em sua primeira aquisição no mercado brasileiro.

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· 3 min

Atualizado em

A Cocos Capital, plataforma de investimentos digital nascida na Argentina, colocou o pé no Brasil ao comprar a Warren Investimentos, seu primeiro movimento no país. Entram no pacote a gestora de recursos, a mesa de mercado de capitais e a Renascença DTVM, a corretora institucional que respondia pelo grosso da receita da Warren. O fechamento, porém, ainda passa pelo crivo dos reguladores brasileiros.

O que a Cocos leva na compra

As partes não abriram o valor da transação. O pagamento sai todo do caixa da própria compradora, numa combinação de dinheiro com troca de ações, sem dívida nem aporte novo de fora. Nesse desenho, os fundos que bancaram a Warren ao longo dos anos, caso da Kaszek Ventures, deixam de ser donos da corretora brasileira e passam a deter uma fatia da argentina. O detalhe menos confortável veio de apuração do Valor: esse investimento já aparecia zerado nos livros dos fundos de private equity, que há mais de um ano procuravam um comprador para a casa. Em custódia, a Warren carregava mais de R$ 20 bilhões, segundo o NeoFeed.

Cocos Capital em números

Indicador Valor
Clientes na Argentina (2025) mais de 2 milhões
Receita (2025) US$ 49,7 milhões
Ebitda ajustado (2025) US$ 25 milhões
Meta de receita (até o fim de 2026) mais de US$ 100 milhões

Dados da própria companhia. Fonte: Valor Econômico

Do lado comprador, a Cocos surgiu em 2021 e escalou rápido no varejo financeiro argentino, com um aplicativo que junta investir, poupar e pagar num lugar só, tudo sem nunca ter levantado dinheiro de terceiros. Com a Warren no colo e o banco digital Voii, também argentino e comprado há pouco, a empresa calcula chegar a um patrimônio sob gestão superior a US$ 4 bilhões. “Vemos uma oportunidade muito clara de aplicar no Brasil o que já fizemos na Argentina: simplificar os investimentos, fortalecer nossa proposta de valor e escalar com foco em eficiência”, diz Ariel Sbdar, que fundou e hoje comanda a companhia argentina. O passo repete a rota de fintechs de fora que chegam ao Brasil comprando uma operação local.

Warren buscava sócio e muda de rota

A corretora nasceu em 2017 nas mãos de Tito Gusmão e Marcelo Maisonnave, dois nomes formados dentro da XP. No começo, havia pé atrás com abrir mão do controle, mas a pressão por um parceiro que sustentasse o crescimento venceu. Nem toda a casa foi junto: uma parcela da tecnologia própria ficou fora do acordo e deve virar um novo projeto de distribuição de investimentos, tocado com outro parceiro. Separar a área institucional teria sido um dos preparativos para o desenho final.

Pouco antes de fechar a venda, a Warren disputava uma joint venture com o Banco do Brasil para distribuir investimentos no varejo, briga em que um concorrente acabou perdendo tração no meio do caminho. Para quem chega, o encaixe seria antes de tudo cultural. “A Cocos tem uma filosofia muito parecida com a Warren e sabe das características do mercado brasileiro. Eles não vão chegar querendo impor as coisas de cima para baixo”, aponta um observador do mercado.

Aprovação pode levar até dois anos

Fontes ouvidas pelo Valor calculam que o aval do Banco Central para o negócio pode demorar até dois anos. Nesse intervalo, o dia a dia da corretora segue como está. O prazo coloca a compra no mesmo tipo de fila enfrentado por outras transações do setor, como a de grupos que esperam licença do BC para consolidar aquisições.

O que observar

Para o mercado de distribuição de investimentos, o ponto a acompanhar é como plataformas estrangeiras usam a compra de casas independentes já estruturadas para acelerar a entrada no Brasil, em vez de construir tudo do zero. Corretoras independentes que procuram sócio e vivem sob pressão de valuation tendem a ser os alvos mais prováveis. Vale observar também o peso do calendário regulatório: uma aprovação que pode se arrastar por até dois anos mantém a operação em compasso de espera e adia qualquer integração real entre as bases de clientes.

Fontes: Valor EconômicoNeoFeedTilt compra Blipay e chega ao BrasilNubank corre contra prazo do BC

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