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Coinbase relança depósito direto e aloca salário em cripto

Coinbase relança o depósito direto com limite de US$ 200 mil/semana. No Senado americano, proposta pode barrar rendimento passivo em stablecoin.

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· 3 min

Atualizado em

24K-Production / Shutterstock.com

A Coinbase relançou o depósito direto após cerca de 18 meses sem o serviço: usuários nos EUA podem agora destinar qualquer parte do salário à compra automática de stablecoins USDC ou outras criptomoedas na plataforma, sem taxas de negociação, com limite de US$ 200 mil por semana. O retorno coincide com um debate regulatório no Senado americano que pode restringir o rendimento passivo sobre saldos de stablecoin.

Depósito direto Coinbase: versão anterior vs atual

Aspecto 2021–2024 2026
Limite US$ 25.000/dia US$ 200.000/semana
Taxas Taxas de negociação Sem taxas de negociação
Status Descontinuado (dez. 2024) Disponível

Comparativo do serviço de depósito direto da Coinbase. Fonte: Banking Dive

Como o serviço funciona na prática

“Nossa decisão de descontinuar o recurso original de depósito direto foi tomada com a intenção explícita de trazer de volta uma experiência melhor para os usuários no futuro. Estamos felizes em oferecer agora uma versão nova e aprimorada do produto, com limites de depósito mais altos, melhor visibilidade e uma experiência de integração mais simples”, disse um porta-voz da Coinbase ao American Banker. A nova versão eleva o limite semanal para alinhar com ciclos de pagamento quinzenal ou mensal, e permite alocar apenas uma fração do contracheque, sem obrigação de depositar o valor integral.

Os ativos disponíveis incluem o USDC, stablecoin emitida pela Circle, e qualquer outro criptoativo listado na plataforma. O serviço não tem cobertura direta do FDIC: os fundos mantidos em dinheiro pela Coinbase ficam em contas de custódia conjuntas em bancos ou cooperativas de crédito seguradas, com cobertura de até US$ 250 mil. Stablecoins e criptoativos em si não se enquadram no seguro federal americano. O relaunch acontece com stablecoins ganhando cada vez mais infraestrutura no mercado global e o bitcoin acumulando queda de aproximadamente 40% desde outubro, de acordo com o Yahoo Finance.

A proposta de lei que pode mudar o modelo

A Clarity Act, projeto de lei de estrutura para ativos digitais em tramitação no Congresso americano, representa o principal risco regulatório para o produto. Em sua versão original, proibiria corretoras como a Coinbase de oferecer recompensas sobre saldos ociosos de stablecoin, o que forçaria usuários a comprar, emprestar ou fazer staking ativamente se quisessem obter rendimento. O Comitê Bancário do Senado aprovou um texto de compromisso em maio de 2026 que distingue yield passivo (proibido) de recompensas vinculadas a atividades específicas (permitidas). O setor cripto apoiou o texto, mas bancos americanos resistem, argumentando que a divisão favorece demasiado as plataformas de criptoativos.

O status regulatório da própria Coinbase também está em movimento. A corretora recebeu aprovação condicional do Escritório do Controlador da Moeda (OCC) em abril de 2026 para operar como instituição fiduciária nacional. A licença, se concedida definitivamente, não resolve o impasse sobre depósitos: bancos fiduciários geralmente não são autorizados a receber depósitos sem um banco parceiro nem a oferecer seguro do FDIC diretamente. A adoção de stablecoins em pagamentos fora do mercado cripto avança em paralelo a esse debate, ampliando a superfície de impacto da decisão regulatória.

O que observar

O ponto central é a definição regulatória de yield: se o texto final da Clarity Act mantiver a distinção entre recompensa passiva e recompensa por atividade, corretoras de criptoativos poderão estruturar seus produtos de depósito direto como “renda por staking” em vez de “juros sobre saldo”, contornando a restrição. Como essa fronteira será traçada, e quem a fiscaliza, determinará a viabilidade do modelo como ferramenta de captação de usuários. Infraestruturas de stablecoin para pagamentos B2B crescem no mesmo período, o que amplia o contexto em que essa regulação vai atuar.

A questão estrutural é mais longa: licenças fiduciárias não resolvem a ausência de cobertura de depósito. A menos que corretoras de criptoativos consigam acesso a seguros de depósito federais ou estabeleçam parcerias bancárias robustas, o produto concorre com contas bancárias tradicionais sem oferecer as mesmas garantias ao consumidor. Vale acompanhar se a aprovação definitiva do charter do OCC vem acompanhada de clareza regulatória sobre quais atividades são permitidas, e em que prazo.

Fontes: Banking DiveCryptoTimesCoinDesk

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