Agentes de inteligência artificial (IA), stablecoins e valores mobiliários tokenizados foram ao comitê de serviços financeiros da Câmara dos EUA nesta quarta-feira (2). O Congresso não aprovou nenhuma regra: os parlamentares pressionaram executivos da Circle, de bancos e da Bolsa de Nova York sobre como autorizar e liquidar transações iniciadas por software.
Três modelos regulados para mover dinheiro em blockchain
| Modelo |
Como funciona |
Quem defendeu |
| Stablecoins de pagamento |
Trilhos programáveis e sempre ligados para agentes |
Circle |
| Depósitos tokenizados |
Versão on-chain do depósito bancário |
Bancos |
| Valores mobiliários tokenizados |
Ação tradicional e token ligados ao mesmo ativo |
Bolsa de Nova York |
Abordagens reguladas citadas na audiência. Fonte: PYMNTS
As perguntas que os agentes de IA levantaram
Heath Tarbert, presidente da Circle, colocou a mudança em termos de infraestrutura. “A IA é o acelerador. Agentes de software realizam transações em nome de pessoas e empresas. Eles não param à noite, nos fins de semana ou feriados. Precisam de trilhos rápidos, programáveis e sempre ligados”, disse ele aos parlamentares. Questionado pelo deputado Bryan Steil sobre stablecoins usadas por agentes, Tarbert classificou um arcabouço como o GENIUS Act, a lei de stablecoins dos EUA, como absolutamente crítico. Sobre gatilhos de liquidação e contratos inteligentes, respondeu que o setor ainda está no começo.
O deputado Bill Foster mirou o primeiro controle da cadeia: saber quem está por trás do software. “Quando meu agente começa a falar com o seu agente, a primeira pergunta que ele faz é: ‘Quem diabos é você?'”, afirmou. Para ele, a identidade agêntica é crucial e precisa haver uma pessoa legalmente rastreável por trás de um agente que opera em finanças, uma abertura para bancos e redes de pagamento que já mantêm identidades verificadas.
Bancos, bolsa e o eco brasileiro
Kathleen Kraninger, presidente e CEO da Florida Bankers Association, defendeu supervisão calibrada pelo risco de cada uso. “Bancos comunitários não deveriam ser obrigados a construir a infraestrutura de validação de um grande banco para ferramentas limitadas e de baixo risco”, afirmou. Já Lynn Martin, presidente da Bolsa de Nova York, descreveu uma plataforma de negociação e liquidação de ativos tokenizados: “o instrumento tokenizado e a ação tradicional não são dois produtos separados, mas um único valor mobiliário amplamente acessível em duas formas”, disse.
Tarbert separou a moeda digital de banco central (CBDC) dos depósitos tokenizados e das stablecoins, e lembrou que o Congresso proibiu o Federal Reserve de emitir uma CBDC de varejo. O parcelamento sem cartão (buy now, pay later, ou BNPL) também apareceu: dados do Federal Reserve publicados em agosto mostram que 20% dos usuários recorreram ao produto para compras de mercado ou entrega de comida em 2025, fatia que sobe a 29% entre quem ganha menos de US$ 50 mil.
No Brasil, os mesmos modelos já aparecem: a Visa liberou pagamentos por agentes para cinco emissores, e o Itaú defende que stablecoin e depósito tokenizado devem coexistir.
O que observar
A discussão expõe uma disputa de trilhos: se agentes passarem a pagar, a liquidação pode correr por stablecoins, por depósitos tokenizados ou pelas contas e cartões que já existem. Vale acompanhar quais camadas de identidade os reguladores vão exigir de quem programa software para transacionar, porque é aí que bancos e redes de pagamento, donos de identidades já verificadas, disputam vantagem com emissores de moeda digital.
A pergunta é de prazo: com o arcabouço regulatório ainda no início, instituições menores tendem a pressionar por supervisão proporcional ao risco de cada uso. Se a migração de saldos para stablecoins ganhar escala, o funding de depósito dos bancos é o próximo tema a observar.
Fontes: PYMNTS • Federal Reserve • Let’s Money • Let’s Money