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Crédito imobiliário cresce 23% e Caixa quer novas fontes

Concessões somaram R$ 180,9 bi no 1º semestre de 2026, alta de 23%. A Caixa afirma que FGTS e poupança não bastam e pede mercado de capitais.

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casa.da.photo / Shutterstock.com

O crédito imobiliário brasileiro somou R$ 180,9 bilhões em concessões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% sobre o mesmo período de 2025. Na abertura do Abecip Summit 2026, a vice-presidente de Habitação da Caixa, Inês Magalhães, afirmou que o novo modelo de crédito imobiliário foi fundamental para o mercado, mas que outras variáveis precisam entrar na conta.

De onde veio o dinheiro no 1º semestre de 2026

Fonte de recursos Volume Variação sobre 1S25
SBPE (poupança) R$ 93,7 bi +29%
FGTS R$ 77,6 bi +22%
Recursos livres R$ 9,6 bi -8%
Total R$ 180,9 bi +23%

Concessões de crédito imobiliário no primeiro semestre de 2026, dados da Abecip. Fonte: Jornal de Brasília

As variáveis que a Caixa colocou na equação

Magalhães tratou o debate sobre funding como mais complexo do que a discussão pública sugere. “Há uma discussão em curso, que nós não podemos cair na tentação de simplificar. Eu gosto muito de dizer que a habitação não é resultante de uma das quatro operações da matemática. Ela é uma equação de segundo grau”, disse a executiva, segundo o Valor Econômico.

Entre as variáveis que citou estão a participação do financiamento habitacional no PIB e o custo regulatório da operação. “O indicador da participação no PIB, […] as camadas de marcos regulatórios mais fortes, temas de regulação que a gente vem enfrentando, como a [resolução] 4.966, e temas como os dos cartórios, que tomam uma parte da agenda. São variáveis dessa equação que contribuem ou atrapalham o crescimento de um crédito saudável e sustentável do país”, afirmou. No mesmo evento, o ministro das Cidades, Vladimir Lima, disse que o crédito imobiliário representa hoje 11% do PIB brasileiro e que há espaço para avançar além dos 12%.

A executiva também disse que os recursos do FGTS e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo não são mais suficientes, embora sigam “fundamentais” para sustentar o crédito habitacional. É o mesmo diagnóstico que levou o Bradesco a apontar a captação fraca da poupança como aperto no funding imobiliário. A Caixa, que cruzou R$ 1 trilhão em crédito imobiliário e responde por cerca de 68% do financiamento habitacional, é a instituição com a maior carteira sujeita a essa troca de fontes. Do lado da demanda, a pressão continua: pesquisa da Serasa mostrou que 9 em cada 10 jovens de renda alta pretendem comprar imóvel.

O que o BC já mediu no novo modelo do crédito imobiliário

Na mesma abertura, o diretor de Regulação do Banco Central, Gilneu Vieira, apresentou o balanço da fase de testes. “Na fase de testes iniciada nos últimos meses de 2025, 500 pontos-base da linha de compulsório, ou seja, 5% do saldo da poupança foram destinados à contratação de operações no novo formato, para que o mercado se acostumasse com o modelo. A partir de 2027, iniciará a vigência do novo modelo, também de forma gradual”, explicou.

Segundo Vieira, os testes interromperam a trajetória de queda das concessões observada em 2025, com incremento nas faixas de imóveis até R$ 1 milhão e entre R$ 1 milhão e R$ 2,2 milhões. O efeito mais visível está no topo: nos últimos dez anos, as menores taxas apareciam em operações com imóveis acima de R$ 2,2 milhões, e desde outubro de 2025 essas operações passaram a pagar taxas maiores que as dos imóveis abaixo de R$ 1 milhão. O desenho prevê que a poupança deixe de ser a fonte principal e passe a funcionar como redutor de custo, com o mercado de capitais assumindo o financiamento das novas operações.

O que observar

A troca de funding transfere risco de preço para quem hoje depende de recurso barato e carimbado. Bancos com carteira habitacional concentrada em poupança precisam formar apetite por captação de mercado num momento de juros altos, e o teste prático aparece na margem: se a substituição elevar o custo médio de captação sem repasse integral ao tomador, a expansão de dois dígitos vista no primeiro semestre fica mais cara de sustentar no segundo. Vale acompanhar se securitizadoras e emissores de títulos lastreados em recebíveis imobiliários conseguem absorver esse volume com prazo compatível com contratos de 30 anos.

A segunda frente é operacional e menos discutida. Custo de registro em cartório, prazo de averbação e regras de provisionamento entram na conta antes do juro final, e sistemas de registro eletrônico e integração de dados são o caminho mais direto para reduzir essa fricção. Se a participação do financiamento habitacional no PIB for mesmo o indicador a ser perseguido, o gargalo pode estar menos na oferta de recursos e mais no tempo e no custo de originar cada contrato.

Fontes: Valor EconômicoInfoMoneyJornal de Brasília

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