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RegulaçãoRegulação · Banco Master

Banco de Edir Macedo pode pesar no caixa do FGC

Eventual intervencao do BC no Digimais, banco de Edir Macedo, com R$ 8,5 bi em depositos, jogaria nova conta sobre o FGC apos o caso Master.

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· 3 min

Atualizado em

A Operação Miragem da Polícia Federal aumentou a chance de o Banco Central intervir no Digimais, banco controlado por Edir Macedo. Se a liquidação se confirmar, a conta recai sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já consumiu quase metade do caixa para socorrer clientes do Banco Master.

A conta do Master e o que pode vir do Digimais

Item Valor
Conta total do caso Master R$ 57,4 bilhões
Provisão: Master, Master Inv. e Letsbank R$ 40,646 bilhões
Provisão: Will Bank e Pleno R$ 11,120 bilhões
Depósitos do Digimais (dez/2025, IFData) cerca de R$ 8,5 bilhões
Limite de cobertura por investidor R$ 250 mil

Conta do caso Master e depósitos do Digimais (IFData, dez/2025). Fonte: Valor Econômico

A conta do Master ainda pesa no fundo

O caso Master deixou uma fatura de R$ 57,4 bilhões para o FGC. O fundo provisionou R$ 40,646 bilhões para garantias de Banco Master, Master de Investimentos e Letsbank, e mais R$ 11,120 bilhões para Will Bank e Pleno. A esse provisionamento somam-se saldos de empréstimo concedidos às instituições ao fim de 2025. Foi esse rombo que levou o Banco Central a reformular as regras do FGC.

O tamanho da conta ainda está sendo digerido pelo sistema. A cota dos grandes bancos no rombo do Master segue em cálculo, e o fundo aprovou em fevereiro de 2026 a antecipação de 84 meses de contribuição ao longo de três anos para recompor o caixa. Uma alíquota extraordinária, equivalente a 0,06 ponto percentual ao ano, ficou disponível como ferramenta, mas só seria acionada se necessário.

Por que a conta do Digimais tende a ser menor

O Digimais tinha cerca de R$ 8,5 bilhões em depósitos em dezembro de 2025, segundo o sistema IFData. A conta de uma eventual liquidação, porém, tende a ser bem menor. O banco vem encolhendo nos últimos meses e o FGC paga no máximo R$ 250 mil por investidor. Parte relevante desses depósitos foi captada por grandes distribuidores, e há ainda R$ 1,8 bilhão em CDBs vendidos a empresas do próprio grupo econômico. Como esses valores intragrupo tendem a superar o teto coberto pelo fundo, ficariam de fora da conta.

O Digimais não é o único desafio na mesa. O fundo também acompanha o BRB, depois de o Distrito Federal pedir um empréstimo de R$ 6,6 bilhões para aportar na instituição. “O FGC pode optar pelo empréstimo em benefício ou da estabilidade do sistema ou de um menor prejuízo ao seu patrimônio, com uma solução privada alternativa a uma liquidação simples”, disse uma fonte ao Valor.

O que observar

A pergunta central é quanto fôlego de caixa o fundo garantidor mantém depois de um ano de socorros encadeados. Bancos de médio porte que dependem de captação via CDB distribuído são os mais expostos a esse ciclo: se a percepção de risco sobe, o custo de captação acompanha, e a antecipação de contribuições já aprovada reduz a margem do fundo para absorver um novo evento sem acionar alíquota extraordinária.

Vale acompanhar também o gatilho. Quando a intervenção parte de indícios de manipulação contábil apontados pelo regulador, a discussão deixa de ser apenas sobre o tamanho do depósito e passa a ser sobre a confiabilidade do balanço como instrumento de supervisão. O teste será se a recomposição de caixa desenhada para três anos sustenta mais de um caso de grande porte no mesmo período.

Fontes: Valor EconômicoBrasil 247Let’s Money

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