Um estudo feito nos EUA mostra que só 49% das empresas usam a conexão bancária que já têm para gerar sinais de fraude em tempo real, e que 47% não conseguem identificar uma suspeita na hora ou em minutos. No Brasil, onde o Pix liquida em segundos, o Banco Central planeja um score central de fraude para o sistema.
O que as empresas fazem com a conexão bancária
| Uso |
% das empresas |
| Verificação de titularidade em tempo real |
65% |
| Cruzamento de identidade com dados do banco |
65% |
| Sinais de fraude em tempo real da atividade da conta |
49% |
| Antifraude adaptado a pagamento em tempo real |
24% |
Estudo do PYMNTS Intelligence com a Plaid, divulgado em agosto de 2026. Fonte: PYMNTS
Detecção rápida x dinheiro que já saiu
O levantamento do PYMNTS Intelligence em parceria com a Plaid ouviu 150 executivos de nível de vice-presidência ou acima, em sete setores intensivos em pagamento, entre 18 de maio e 1º de junho de 2026. O problema apontado não é falta de defesa: 90% usam pontuação por regras antes da autorização, 83% recorrem a machine learning ou score preditivo de risco e 81% checam histórico de pagamentos. Ainda assim, 57% relatam mais tentativas de fraude do que um ano antes, e o fluxo considerado mais arriscado por 47% é justamente o de pagamentos recebidos de clientes.
O que muda é o relógio. Segundo o relatório, quando a liquidação é imediata e potencialmente irreversível, uma detecção que chega horas depois pode ser “operacionalmente equivalente a nenhuma detecção” (tradução livre de “operationally equivalent to no detection at all”). Entre as empresas que verificam titularidade de conta em tempo real, 60% detectam a suspeita na hora ou em minutos, contra 39% das que não verificam. A diferença aparece também antes de o dinheiro sair: 21% x 10%. O próprio estudo ressalva que os dados não provam que a verificação, sozinha, causa a detecção mais rápida.
A distância entre ter e usar a infraestrutura
Quase todas as empresas ouvidas já têm conexão bancária segura. Dois terços a usam para verificar titularidade e para cruzar identidade com o cadastro do banco, mas menos da metade extrai dali sinal de fraude em tempo real. Só 24% dizem ter controles antifraude adaptados a pagamentos instantâneos, embora 67% reconheçam que o crescimento desse tipo de transação aumentou a exposição. Complexidade operacional, receio de fraude e custo lideram as barreiras. No caso das novas regras de fraude do ACH, o sistema de transferências americano, apenas 6% se diziam totalmente preparados quando elas entraram em vigor.
O mercado de tecnologia antifraude vem se consolidando em paralelo: a Visa comprou a BioCatch por US$ 2,4 bilhões para reforçar biometria comportamental, e a própria Plaid passou a detectar deepfake na abertura de contas. No Brasil, a pressão vem do outro lado do balcão, com golpes que já entregam à vítima um roteiro para enganar o próprio banco.
O que observar
O dado mais desconfortável do estudo não é o volume de fraude, e sim a ociosidade da infraestrutura: empresas que já pagam por conectividade bancária usam esse canal para cadastro e onboarding, não para decidir transação. Vale acompanhar se provedores de conectividade conseguem transformar o mesmo acesso em sinal de risco vendável, porque isso muda o comprador dentro do cliente: sai da área de cadastro e entra no time de risco, que tem outro orçamento e outra régua de latência.
Em mercados com liquidação instantânea, a janela de decisão é medida em centenas de milissegundos, e cada consulta externa disputa esse tempo. A pergunta prática para instituições e para reguladores é se o sinal de risco vai ser produzido dentro de cada instituição, comprado de terceiros ou distribuído de forma centralizada pela infraestrutura do sistema de pagamentos. As três rotas implicam custos, responsabilidades e prazos de adequação bem diferentes.
Fontes: PYMNTS • PYMNTS Intelligence • PYMNTS Intelligence e Plaid