O saldo de crédito do sistema bancário brasileiro deve subir 0,8% em maio frente a abril e 9,6% sobre o mesmo mês de 2025, segundo projeção divulgada pela Febraban na sexta-feira (26). O motor da aceleração está nas linhas com funding direcionado, em ritmo anual de 12,9% sob influência de programas oficiais.
Crédito por segmento: projeção Febraban para maio
| Segmento |
Mês (mai/abr) |
12 meses |
| Direcionado |
+1,0% |
+12,9% |
| Livre |
+0,7% |
+7,1% |
| Total |
+0,8% |
+9,6% |
Pesquisa Especial de Crédito da Febraban, maio de 2026. Fonte: Valor
Direcionado puxa o ritmo
A carteira direcionada concentra o ganho de tração. Entre empresas, o que pesa são as linhas garantidas pelo Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), braço do Peac voltado a operações com micro, pequenos e médios negócios. Entre famílias, com expansão mensal de 0,7%, a tração vem do habitacional, amparado nas condições do Minha Casa, Minha Vida.
A força do imobiliário convive com um ponto de tensão no funding. Em declarações recentes, executivos do Bradesco apontaram que a queda da poupança aperta a base de recursos do crédito habitacional, num cenário em que a demanda subsidiada continua firme.
Recursos livres avançam menos
As linhas livres rodam em ritmo menos forte. A entidade prevê avanço de 0,7% em maio frente a abril, com saldo 7,1% maior em 12 meses, descolamento de 5,8 pontos percentuais frente ao bloco direcionado. As concessões devem recuar 2,2% no mês após ajuste sazonal, mas avançam 9,6% sobre maio do ano passado.
“A pesquisa sugere que o ritmo de expansão do crédito permanece elevado, mesmo em ambiente de política monetária ainda restritiva. No entanto, esse crescimento está cada vez mais concentrado nas linhas com recursos direcionados, refletindo os impulsos de programas governamentais”, afirmou em nota Rubens Sardenberg, diretor da Febraban.
O ambiente de juros altos pesa sobretudo no livre. Em maio, a própria Febraban havia indicado que as dívidas dos brasileiros ficaram mais caras no acumulado do ano, refletindo a transmissão da Selic para os spreads bancários.
O que observar
O gap entre direcionado e livre é o ponto que mais merece acompanhamento. Bancos privados grandes, com carteira mais concentrada em recursos livres, dependem da combinação entre redução da Selic e melhora do risco para acelerar o crescimento orgânico. Bancos públicos e cooperativas, mais expostos a linhas com funding subsidiado, capturam o impulso de programas como o Peac e o Minha Casa, Minha Vida.
A pergunta operacional é o que sustenta o ritmo quando os programas oficiais entrarem em ciclo de revisão fiscal ou de redesenho de garantias. Vale acompanhar também o comportamento das fintechs de crédito a pessoa física, que operam quase exclusivamente no livre, num momento em que as concessões mensais ajustadas já recuam.
Fontes: Valor • Febraban: Pesquisa Especial de Crédito • Let’s Money: Bradesco e crédito imobiliário • Let’s Money: Febraban sobre dívidas