A Figure Technology Solutions, marketplace de capital baseado em blockchain, fechou acordo para comprar a Kiavi, plataforma de crédito imobiliário residencial movida a IA, em uma transação avaliada em US$ 717 milhões. O movimento leva originação de crédito imobiliário de investidores para trilhos de tokenização.
Os números da compra da Kiavi
| Item |
Valor |
| Valor da transação |
US$ 717 milhões |
| Receita da Kiavi (2025) |
US$ 250 milhões |
| EBITDA da Kiavi (2025) |
acima de US$ 100 milhões |
| Novo volume anual first-lien |
mais de US$ 7 bilhões |
| Originação endereçável/ano |
US$ 200 bilhões |
Termos da aquisição anunciada em 10 de junho de 2026. Fonte: Banking Dive
Como a Figure separou tecnologia de balanço
O desenho da operação divide a Kiavi em duas partes. A Figure compra a tecnologia e a plataforma operacional, enquanto uma joint venture formada com a gestora Sixth Street fica com os ativos de balanço, ou seja, a carteira de empréstimos da Kiavi. A estrutura permite que a Figure absorva a máquina de originação sem inchar o próprio balanço, mantendo o modelo capital light que a empresa descreve como central na sua tese.
A Kiavi atende investidores de imóveis residenciais com dois produtos principais: empréstimos de transição residencial de curto prazo (os Residential Transition Loans, usados em reformas e revenda) e financiamentos de longo prazo baseados na capacidade de pagamento do aluguel (os DSCR loans). Em 2025, a plataforma reportou receita de US$ 250 milhões e EBITDA acima de US$ 100 milhões, segundo o Banking Dive.
A aposta em first-lien e tokenização
A compra expande o marketplace da Figure, que conecta originação, funding e mercado secundário. Mais de 380 parceiros usam o sistema de originação da empresa e, juntos, Figure e parceiros já originaram mais de US$ 25 bilhões em home equity e outros produtos. O negócio com a Kiavi move a empresa para o crédito de primeira garantia (first-lien), um mercado maior do que o de home equity e segunda garantia onde a Figure historicamente atuou.
Pelas contas divulgadas, a aquisição adiciona mais de US$ 7 bilhões em novo volume anual de first-lien ao marketplace e abre uma oportunidade de originação endereçável de US$ 200 bilhões por ano, conforme o comunicado oficial. A Figure projeta que produtos de first-lien podem responder por mais de 40% do volume do seu marketplace de crédito ao consumidor em 2027.
“A Figure é incansável na busca por mover os mercados de capitais para trilhos de blockchain, e nove meses após o nosso IPO bem-sucedido, esta transação com a Kiavi é mais um salto rumo à tokenização, à diversificação em first-lien e à nossa plataforma de IA agêntica”, disse Michael Tannenbaum, CEO da Figure (em tradução livre). A tese ecoa outros movimentos de tokenização de ativos por instituições financeiras e a corrida por depósitos e títulos tokenizados que ganhou força no último ano.
O que observar
O salto da Figure mira um ponto sensível: levar crédito de primeira garantia, lastreado em imóveis, para uma infraestrutura tokenizada de ponta a ponta. A pergunta que fica é se a tokenização reduz de fato o custo de funding e o atrito no mercado secundário a ponto de justificar a migração de carteiras inteiras, ou se permanece como camada de registro sem mudar a economia do crédito. Vale acompanhar como securitizadoras, gestoras de crédito estruturado e administradores fiduciários respondem quando a originação e a negociação passam a rodar nativamente em blockchain.
No Brasil, a discussão tem endereço próprio. Iniciativas de tokenização ligadas a infraestrutura de pagamentos e o avanço do Drex testam a mesma hipótese em outro arranjo regulatório. Se a tese de trilhos tokenizados para crédito imobiliário se confirmar lá fora, o teste por aqui será o ritmo com que reguladores e prestadores de serviço de ativos virtuais conseguem dar segurança jurídica a carteiras de primeira garantia em ambiente distribuído.
Fontes: Finextra • Banking Dive • GlobeNewswire