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Inteligência ArtificialIA · Agentes de IA

Google e Kyndryl testam IA que lê cadastros em banco suíço

Prova de conceito da Kyndryl com Incore Bank e Google Cloud teve até 99% de acerto ao ler documentos de cadastro, e a decisão de risco segue humana.

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· 4 min

Atualizado em

ZikG / Shutterstock.com

A Kyndryl concluiu com Google Cloud e o banco suíço Incore Bank uma prova de conceito com agentes de IA no cadastro de clientes que teve até 99% de acerto na extração automática de dados dos documentos. O teste, anunciado em 31 de agosto de 2026, indicou potencial de encurtar o onboarding de meses para dias.

O que a prova de conceito entregou

Item medido Resultado
Extração automática de dados dos documentos de cadastro Até 99% de acerto
Tempo de onboarding Potencial de cair de meses para dias
Rotina do time de compliance Mais tempo em casos que exigem julgamento

Resultados divulgados na conclusão da prova de conceito, em 31 de agosto de 2026. Fonte: Kyndryl

Como os agentes de IA dividem o trabalho no KYC

KYC (know your customer) é a checagem obrigatória que um banco faz para identificar o cliente e classificar o risco dele. O gargalo é conhecido: quando o fluxo depende de repasses manuais entre áreas, o cadastro trava e o time de compliance gasta boa parte do tempo em tarefa repetitiva, segundo o comunicado da Kyndryl.

A arquitetura testada na Incore Bank, um banco de transação B2B suíço, combina o Agentic AI Framework da Kyndryl com os modelos Gemini, do Google, e acrescenta uma camada semântica com política como código e agentes de guardrail. São vários agentes atuando sobre dados estruturados e não estruturados, sistemas internos e fontes externas confiáveis. Cada um pega uma parte: extração e validação da informação do cliente, coleta de evidências, identificação de fatores de risco, pontuação de risco explicável e criação de registros auditáveis de decisão para o profissional de compliance.

“Na Incore Bank, acreditamos que a inovação precisa andar de mãos dadas com confiança, transparência e governança regulatória forte”, disse Mark Dambacher, CEO da Incore Bank. Jacqueline Wild, Managing Director e Vice President da Kyndryl Alps, afirmou que “em setores altamente regulados como o bancário, o sucesso depende de governança forte, explicabilidade, auditabilidade, acesso seguro aos dados e supervisão humana”.

O que o acerto de 99% mede, e o que não mede

O número pede recorte. Os 99% se referem à leitura dos documentos, não ao julgamento de risco do cliente: a PYMNTS registra que a marca não significa que a IA acertou decisões de KYC em 99% das vezes, e que a decisão final continua com o profissional de compliance.

Bancos maiores já vinham atacando a mesma etapa. O Citi cortou a revisão de documentos no onboarding corporativo de uma hora para 15 minutos com IA proprietária, e o próprio Google Cloud trocou a análise manual de documentos pela verificação via open banking em 11 mercados europeus. A diferença aqui é o desenho: em vez de automatizar uma tarefa, a prova de conceito distribui o fluxo entre agentes que precisam deixar rastro auditável.

A adoção nessa frente específica ainda é baixa. Levantamento da PYMNTS Intelligence mostra que só 20% das empresas de serviços financeiros e seguros ouvidas usam IA para KYC, checagens de know your business e verificação de identidade, a segunda menor taxa entre as tarefas acompanhadas, atrás apenas de testes A/B. Em outro levantamento da PYMNTS Intelligence, feito com a Plaid, 65% das empresas ouvidas dizem que pretendem adotar ou expandir essa automação nos 12 meses seguintes. O supervisor britânico, por sua vez, já mapeou como a IA vai remodelar as finanças de varejo.

O que observar

A distância entre teste e produção costuma aparecer na margem de erro que sobra. Extração de dado é etapa mensurável e auditável; a classificação de risco é o item pelo qual o supervisor cobra a instituição. Vale acompanhar se os bancos que colocam agentes no cadastro passam a divulgar taxa de erro por tipo de documento, e não só o acerto agregado, porque é esse recorte que define quanto trabalho de revisão sobra para o time de compliance depois da automação.

A segunda pergunta é de responsabilidade. Se o encurtamento de meses para dias se sustentar fora de um ambiente controlado, o gargalo do cadastro corporativo deixa de ser prazo e passa a ser quem assina a decisão. A exigência de explicabilidade tende a pesar mais em bancos de transação, que abrem contas para outras instituições financeiras e herdam o risco dos clientes delas.

Fontes: KyndrylPYMNTSFinextra

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