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CréditoRegulação · Consignado

Governo trava juro em 1,99% no consignado com FGTS

O governo publicou portarias que regulamentam o FGTS como garantia do Crédito do Trabalhador e fixou em 1,99% ao mês o teto de juros da modalidade.

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As regras de uso do FGTS como colateral do Crédito do Trabalhador saíram em duas portarias publicadas nesta segunda (29). Quem fechar o empréstimo pelo aplicativo oficial CTPS Digital tem cobertura integral pelo fundo; pelo canal bancário direto, a cobertura cai à metade. Em ambos os casos, o juro nominal fica em 1,99% mensais.

Pelas portarias, três fatias do FGTS podem ser dadas como garantia: 10% do saldo no fundo, 35% das verbas pagas em rescisão e a multa rescisória integral. O custo efetivo total (CET) das operações fica em 2,99% mensais, conforme regra do governo de abril que define o CET como, no máximo, 1 ponto percentual acima da taxa nominal mensal.

A taxa anunciada saiu mais apertada do que a estimativa anterior do próprio governo. Em cobertura do Let’s Money em 19 de junho, o desenho em estudo apontava taxa nominal próxima de 2,99% ao mês. Agora o teto da nominal veio em 1,99%, com o CET no mesmo 2,99%. A média do programa em março de 2026, segundo o Ministério do Trabalho, era de 3,67% ao mês.

Como o FGTS entra como garantia do consignado

Canal de contratação Cobertura do FGTS Teto de juros
Carteira de Trabalho Digital cobertura integral 1,99% ao mês
Canal direto com o banco cobertura parcial (metade) 1,99% ao mês

Composição da garantia em ambos os canais: 10% do saldo no fundo, 35% das verbas pagas em rescisão e multa rescisória integral. CET limitado a 2,99% mensais. Fonte: Valor Econômico

Como o mercado leu o teto

O BTG Pactual avaliou em relatório enviado a clientes que o teto saiu em patamar muito apertado e tende a sufocar a originação por instituições de médio porte e fintechs especializadas. “Com o ticket médio desses empréstimos em torno de R$ 3 mil a R$ 6 mil, a relevância das três garantias relativas ao montante total do empréstimo normalmente não é tão significativa. Isso limita o quanto as perdas esperadas podem realmente diminuir e torna bastante difícil tornar um empréstimo com juro de 1,99% rentável”, avaliaram.

A leitura é parecida no setor bancário, que ouviu pelo Valor uma fonte sob anonimato. Para ela, o desenho saiu sem diálogo prévio com as instituições e o teto é “incompatível com os modelos típicos de financiamento e com o perfil de risco e de capital do produto”. A cobertura, complementou, protege sobretudo demissões sem justa causa, e fica de fora nas demais hipóteses de inadimplência. “A combinação de proteção reduzida com teto de juro baixo torna a equação de risco-retorno desequilibrada e desestimula a oferta do produto”, disse.

FGTS chega em consignado já apertado

Reformulado em março de 2025, o programa empilhou R$ 104,1 bilhões em saldo até abril, contra os R$ 40 bilhões da modalidade anterior. O ticket médio, porém, encolheu rápido: dados da Serasa Experian mostram que o valor médio caiu 73% no primeiro ano (R$ 8,6 mil para R$ 2,3 mil), com prazo 48% mais curto e o número de instituições financeiras por empresa subindo de 4 para 21. O consignado privado passou de R$ 100 bilhões em maio, com o Itaú liderando a oferta.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, alertou diretamente os trabalhadores: “Não contrate uma operação usando o seu salário que seja maior que 1,99% ao mês”, disse. O ministro defendeu que a ampliação da garantia, agora também com o saldo do FGTS além do salário, é o instrumento para forçar a queda dos juros.

O que observar

O equilíbrio entre teto e disposição dos cedentes vai ser o termômetro dos próximos meses. Bancos de médio porte e fintechs de crédito operam com custo de capital e perfil de risco diferentes das grandes instituições, e se a cobertura da garantia ficar restrita à demissão sem justa causa, o efeito de redução de perdas esperadas pode não compensar o teto na precificação.

Vale acompanhar dois sinais: a velocidade com que as fintechs de crédito e os bancos médios passam a originar pela Carteira de Trabalho Digital (onde a garantia chega a 100%), e os dados mensais do saldo da modalidade nos próximos balanços do setor.

Fontes: Valor EconômicoLet’s Money: desenho em estudo (19/jun)Let’s Money: perfil das operaçõesLet’s Money: saldo de R$ 100 bi

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