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TokenizaçãoFintech · Blockchain

Habitare leva financiamento de obra para a blockchain

A Habitare estruturou com OPEA e INCO um CRI de até R$ 25 milhões sobre a blockchain e captou R$ 3 milhões em menos de nove horas na primeira tranche.

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Atualizado em

Foto: Reprodução

A incorporadora Habitare colocou sobre a blockchain uma emissão de recebíveis imobiliários que pode chegar a R$ 25 milhões. Estruturada com a securitizadora OPEA e distribuída por crowdfunding na plataforma INCO, a operação usa contratos que se executam sozinhos como garantia. A tranche inicial, de R$ 3 milhões, entrou em menos de nove horas.

O contrato que administra a si mesmo

O CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) é um instrumento conhecido da renda fixa. O que a Habitare trocou foi a base tecnológica. Em vez de registrar o PDF de um contrato na rede, cada acordo de compra e venda dos imóveis já nasce como um smart contract, um programa que roda sozinho na blockchain. É esse código autoexecutável que vira lastro e garantia para quem investe, no modelo que a empresa apelidou de “recebíveis chipados”.

Na prática, o mesmo código toca a vida financeira do papel. O sistema da NGT (NexuGrid Technology), vertical de tecnologia ligada à OPEA, emite os boletos, faz a conciliação bancária e, se o comprador atrasa, dispara a negativação no Serasa e o protesto em cartório sem que ninguém aperte um botão. “Ao adotarmos os contratos inteligentes desde o primeiro dia, entregamos uma governança de dados incontestável para os investidores”, afirmou Roberto Coutinho, CEO da Habitare.

A operação da Habitare em números

Item Dado
Meta total da emissão Até R$ 25 milhões
Primeira tranche R$ 3 milhões em menos de 9 horas
Lastro 2 empreendimentos, +R$ 160 milhões de VGV
Estrutura OPEA e NGT (tokenização) + INCO (crowdfunding)
Garantia Smart contract autoexecutável

Dados da operação informados pela empresa. Fonte: TI Inside

Um trilho aberto pela CVM 88

A emissão se apoia na Resolução CVM 88, que autoriza o investimento coletivo como canal para distribuir o CRI. A norma virou base para um segmento que as próprias entidades do setor já discutem revisar: o crowdfunding de investimentos movimentou quase R$ 4 bilhões em 2025, segundo a CVM. No mesmo período, a poupança perdeu força como destino de recursos, com saída líquida de R$ 23,5 bilhões só em janeiro de 2026. Fora do país o movimento tem paralelo: nos EUA, uma fintech levou o crédito imobiliário à blockchain ao comprar uma concorrente do setor.

A aposta já tem escala: o modelo lastreia dois projetos cujo valor geral de vendas passa de R$ 160 milhões. Com a carteira automatizada de ponta a ponta, a incorporadora diz acessar taxas mais atrativas que as do financiamento imobiliário tradicional, já que a régua de cobrança deixa de depender de trabalho manual.

O que observar

A automação total da carteira é o que sustenta a promessa de captação mais barata: quando a cobrança roda sozinha, o risco operacional cai e o investidor tende a exigir um prêmio menor. A pergunta que fica é sobre o outro lado dessa moeda. Autoridades e organismos internacionais já observam que, ao transferir a execução de contratos para o código, parte do risco antes gerido por instituições passa a depender da qualidade do próprio software e da custódia dos ativos digitais. Para incorporadoras e securitizadoras que testam o modelo, o teste real virá quando um contrato inteligente precisar lidar com uma inadimplência complexa, uma renegociação ou uma disputa em cartório, situações em que a intervenção humana costuma ser a regra.

Fontes: TI InsideAgência BrasilComissão de Valores Mobiliários

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