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HSBC cresce 37% no Brasil 10 anos após sair do varejo

HSBC Brasil cresceu 37% em receitas locais no 1º semestre, dez anos após vender o varejo ao Bradesco, com empresas chinesas puxando a demanda.

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· 3 min

Atualizado em

Foto de Rubaitul Azad na Unsplash

O HSBC fechou o primeiro semestre com alta de 37% nas receitas locais no Brasil, depois de avançar 20% em 2025. O salto vem de um banco que só faz atacado por aqui: uma década atrás, a instituição tinha acabado de entregar todo o varejo brasileiro ao Bradesco.

A operação brasileira do HSBC depois do varejo

Indicador Evolução
Base de clientes de cerca de 70 para mais de 800
Equipe de 45 para mais de 200 funcionários
Receitas locais em 2025 +20%
Receitas locais no 1º semestre de 2026 +37%
Clientes chineses ativos (dez/2025 a jun/2026) +21%

Números da operação brasileira apresentados pelo banco em 2026. Fonte: Valor Econômico

A década do HSBC no Brasil sem varejo

O Bradesco levou a operação brasileira inteira, com agências, seguros e gestão de recursos, por R$ 16 bilhões pagos na conclusão do negócio, em julho de 2016. O que sobrou virou outra coisa: em dez anos, a carteira saiu de cerca de 70 nomes para mais de 800 e a equipe foi de 45 a mais de 200 pessoas. Somando o que esses clientes geram nas unidades do banco lá fora, o resultado atribuído a eles mais que dobra.

Alexandre Guião, que preside a operação brasileira, não promete reabrir a porta. “No médio prazo, não acredito que exista a intenção de voltar ao varejo. O foco será crescer e continuar conquistando espaço no segmento de atacado”, afirmou. Jorge Arce, à frente da instituição na América Latina, vende o retorno como raridade no setor: “Poucos bancos deixam um país e voltam com o sucesso com que voltamos”, disse.

O vetor chinês e o que o banco não faz aqui

O motor mais novo tem passaporte chinês: entre dezembro de 2025 e junho de 2026, os clientes da China ativos na operação brasileira subiram mais de 21%. Quando um grupo chinês quer comprar uma empresa daqui, o crédito pode sair do balanço local ou das unidades na Ásia, na Europa e no México, e o caminho inverso vale para companhias brasileiras atrás de dinheiro em Hong Kong. É a mesma lógica de corredor que aparece no avanço de players chineses sobre os trilhos de pagamento brasileiros.

A oferta daqui se apoia em cinco pernas: banco transacional, trade finance, caixa, tesouraria e crédito, com a captação externa como prioridade na área de dívida. Em projeto, o exemplo que o executivo puxa é o pacote de US$ 1,5 bi que viabiliza a planta baiana da Acelen Renováveis, desenhada para tirar querosene de aviação e diesel verde da macaúba.

O que ficou de fora é revelador: renda variável e fusões e aquisições não entram no cardápio daqui, por decisão global de concentrar essas mesas em Ásia e Oriente Médio. É o mesmo eixo que levou o grupo a montar seu centro global de IA em Singapura.

No crédito, o juro alto cobrou seletividade: o executivo admitiu que o cenário empurrou a inadimplência para cima e apertou companhias, e que a carteira passou por revisão sem que isso travasse a expansão. “Quanto mais tempo os juros permanecerem elevados, mais tempo haverá desafios no mercado”, disse. As apostas seguem em obras de infraestrutura, na cadeia de óleo e gás e no agro, e há uma janela de emissões externas prevista para setembro de 2026.

O que observar

O caso interessa menos pelo tamanho e mais pelo desenho: um banco global que abandonou a disputa por conta corrente e voltou a crescer vendendo trilho internacional para poucas centenas de empresas. Carteira concentrada tem receita alta por cliente e nenhuma diluição de risco quando um setor inteiro tropeça, e é isso que a próxima virada de ciclo vai testar.

A pergunta operacional é como bancos estrangeiros de atacado vão arbitrar entre balanço local e estrutura no exterior conforme o fluxo asiático cresce: quando o crédito da aquisição sai de uma unidade fora do país, a operação brasileira contabiliza relacionamento, não ativo, e a régua de retorno muda. Vale observar também se o corredor vira porta de entrada para grupos asiáticos comprarem ativos por aqui em ritmo maior.

Fontes: Valor EconômicoExameAcelen RenováveisCNBC

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