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IA derruba 100 vezes o custo de uma fraude bancária

Relatório da Unico com a Liminal aponta que a IA derrubou 100 vezes o custo de uma fraude avançada e projeta perdas de bancos acima de US$ 55 bi até 2030.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução

A inteligência artificial barateou o crime financeiro a ponto de mudar a escala do problema. Montar um golpe sofisticado ficou mais de 100 vezes mais barato, e o rombo anual de bancos e fintechs no mundo, hoje em torno de US$ 25 bilhões, pode alcançar US$ 55,3 bilhões em 2030, mais que o dobro. Os números são de um relatório da Unico com a Liminal.

Por que atacar ficou barato

A conta que explica o salto está na queda de preço. Ferramentas de IA generativa viraram commodity, vendidas por assinatura com pouca barreira de entrada, e isso industrializou a produção de golpes. Segundo o relatório, quase 90% dos profissionais de segurança digital colocam o conteúdo sintético entre os maiores desafios do momento: documentos forjados por máquina e bots que se passam por pessoas.

O deepfake é o exemplo mais visível. A IA simula a voz ou a imagem em vídeo de uma pessoa real, e o resultado engana sistemas e humanos. Uma só instituição somou 8.065 tentativas desse tipo de golpe em oito meses, ainda no começo de 2025, e perdeu US$ 347 milhões comprovados. No agregado mundial, o estudo calcula que cerca de 6 milhões de pessoas caíram em ataques de identidade em 2025.

O tamanho da fraude com IA, segundo o relatório

Indicador Dado
Perdas globais projetadas US$ 25 bi (2025) → US$ 55,3 bi (2030)
Alta projetada até 2030 Mais de 120%
Custo de uma fraude avançada Caiu mais de 100 vezes
Deepfake (1 instituição, 8 meses) 8.065 tentativas, US$ 347 mi em perdas
Identidade sintética na América Latina 48,3% dos casos (2x a média global)

Relatório de Inteligência Sobre Fraude de Identidade, da Unico com a Liminal. Fonte: Valor Investe

Por que o Brasil aparece no centro

O relatório coloca a América Latina na ponta desse tipo de ataque: a região responde por 48,3% dos casos de identidade sintética, índice que supera em mais de duas vezes a fatia global de 23%. O Brasil é destacado como termômetro dessa virada. “O Brasil é o principal termômetro para entender a transição da fraude. Temos um ecossistema altamente avançado, impulsionado por pautas ativas de Open Finance e regulado pela LGPD, mas é essa mesma escala que atrai ataques massivos, como as 500 mil tentativas de deepfakes bloqueadas na região”, diz Fernanda Beato, que comanda a operação da Unico no país. Para os autores, o problema é universal: “Não há mercado seguro, apenas pontos diferentes da mesma curva [de exposição]”.

Do lado da defesa, a resposta tem sido tecnológica. O reconhecimento facial já chegou a 84% dos bancos, e instituições passaram a usar IA para flagrar golpes dentro do próprio aplicativo. O poder público também se mexeu: o governo criou regras para plataformas digitais mirando deepfakes.

O que observar

A conclusão dos autores aponta para um dilema conhecido do setor: à medida que defesas isoladas perdem eficácia, a tendência é a regulação empurrar as instituições para barreiras compartilhadas, com troca de sinais de fraude entre concorrentes. O nó é que esse tipo de colaboração esbarra na privacidade dos dados dos clientes, protegida por lei. Vale acompanhar como bancos, fintechs e provedores de verificação de identidade vão equilibrar as duas pontas, e se o custo de adotar biometria e verificação contínua vai pesar mais sobre as instituições menores, que têm menos escala para diluir o investimento. Enquanto o preço de atacar cai, o de defender sobe.

Fontes: Valor InvesteLiminalBiometric Update

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