O Itaú Private Bank abre em agosto sua primeira representação local no Uruguai, o passo inicial de uma expansão pela América Latina que mira também Chile e Paraguai até o fim do ano. O movimento vem depois de a divisão superar R$ 1 trilhão em ativos sob gestão e administração no fim de 2025, dois anos antes do previsto.
Itaú Private em números
| Indicador |
Dado |
| Ativos sob gestão e administração |
Mais de R$ 1 tri (fim de 2025) |
| Participação de mercado no Uruguai |
30% (51% em cartões) |
| Ativos sob gestão no Uruguai |
US$ 6 bi (+30% em 2025) |
| Ticket mínimo no Uruguai |
US$ 2 milhões |
| Ticket mínimo no Brasil |
Caiu de R$ 15 mi para R$ 10 mi |
Dados do Itaú Private Bank citados em entrevista. Fonte: Valor Econômico
Por que o Uruguai vem primeiro
Até agora, a divisão de private do Itaú mantinha apenas escritórios centrais em Zurique e Miami, além do Brasil. A nova unidade uruguaia vai atender clientes com investimentos a partir de US$ 2 milhões, com equipe local formada por gerente de banking, private banker e especialistas em investimentos e planejamento de fortunas. “Estamos nos guiando pela demanda dos clientes, e o Uruguai é uma localização muito importante para estarmos neste momento”, afirmou Fernando Beyruti, diretor global do Itaú Private, ao Valor.
O país concentra vantagens para o segmento: no Uruguai, a fatia de mercado do banco já é de 30%, quase igual à do Brasil, e os ativos sob gestão cresceram 30% em 2025, para US$ 6 bilhões, segundo Agustín Tafernaberry, CEO do Itaú Uruguai. O executivo cita “estabilidade política e social e liberdade de capital” como diferenciais. O Uruguai deixou de ser classificado como paraíso fiscal pela OCDE, mas mantém incentivos, como isenção de 11 anos de imposto sobre renda no exterior para novos residentes.
A corrida pela alta renda na região
A aposta chega em um momento de disputa acirrada por grandes fortunas latino-americanas. Poucos dias antes, o BTG Pactual concluiu a compra do HSBC Uruguai por US$ 211 milhões, reforçando o país como hub de gestão de patrimônio na região. Do outro lado, entrantes digitais avançam sobre o segmento, com movimentos como o da Revolut, que mira o private banking de clientes com £ 500 mil.
No Itaú, a reformulação da área ampliou o público-alvo: o mínimo de entrada no Brasil caiu de R$ 15 milhões para R$ 10 milhões, e a captação acelerou. Beyruti aponta ainda o “cross-border lending” como operação que fica mais viável com a presença local, permitindo, por exemplo, usar uma garantia no Brasil para uma transação no Uruguai. “Nossa intenção é até o fim do ano estar operando nesses três países no novo modelo de private banking global”, disse o diretor.
O que observar
A abertura de bases locais em jurisdições de baixa tributação eleva a disputa entre grandes bancos de atacado, gestoras de fortunas e plataformas digitais de investimento por um cliente que, cada vez mais, opera em várias jurisdições ao mesmo tempo. Vale acompanhar se a proximidade física realmente vira diferencial de captação, ou se o serviço já globalizado por tecnologia reduz o peso de ter um escritório em cada país. O teste prático será o ritmo de concentração de recursos: quanto do patrimônio que o cliente mantém em outras instituições migra de fato para quem oferece o atendimento cross-border.
Há também a variável regulatória e macroeconômica. Hubs de gestão de patrimônio dependem de estabilidade fiscal e de liberdade de capital, atributos que podem mudar com pressões internacionais por transparência tributária. Para instituições que apostam em expansão regional de longo prazo, a pergunta é quanto de um cenário de juros mais voláteis e de novas regras sobre fortunas pode acelerar, ou adiar, a decisão de onde o dinheiro fica.
Fontes: Valor Econômico • Seu Dinheiro • Let’s Money • Let’s Money