O Itaú Unibanco passou a incorporar toda a base de indícios de fraude da datatech Quod aos seus modelos de prevenção, para barrar contas laranja antes da abertura de conta e monitorar a base de clientes de forma contínua. O uso, que começou em junho de 2026, muda a lógica de reativa para preventiva: em vez de consultar um CPF isolado, o banco cruza a base inteira ainda no cadastro.
O retrato da fraude no Brasil em 2025
| Indicador | Número |
|---|---|
| Indícios de fraude em 2025 | 12 milhões |
| Contas de passagem e laranja nos casos | 10% |
| Laranjas com +1 ano de conta no banco | 96% |
| Laranjas com mais de seis anos de conta | 37% |
Levantamento da Quod sobre indícios de fraude em 2025. Fonte: Valor Econômico
De consulta pontual a monitoramento contínuo
Até agora, o Registro Unificado de Fraudes (Rufra) da Quod era usado de forma reativa: as instituições faziam consultas pontuais sobre um CPF ou CNPJ específico. O Itaú passou a incorporar a base completa aos seus modelos, começando pelo onboarding, quando consulta a Quod antes de abrir a conta, e estendendo o uso ao monitoramento da própria carteira. A análise combina dados internos, informações da Quod e modelos de inteligência artificial tradicionais e generativos para classificar o risco de cada cliente.
“Agora a gente pode ser proativo”, explicou Bruno Fonseca, superintendente de prevenção a fraudes do Itaú. A ideia é identificar clientes que receberam novas marcações de fraude em outras instituições, mesmo sem comportamento suspeito dentro do banco. Segundo o executivo, a ferramenta funciona como mais uma camada do modelo, sem decidir sozinha, e o banco estima antecipar de 20% a 50% da identificação que faria em uma etapa posterior. O uso vale para pessoas físicas e jurídicas e vem sendo expandido gradualmente desde junho. O movimento acompanha a corrida do setor por dados de prevenção, no mesmo terreno em que a Quod já abriu um motor de crédito com a FICO para bancos médios.








